Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Casos recentes de assédio contra jogadoras da equipe feminina do Holanda Esporte Clube e a acusação de racismo do técnico do JC Futebol Clube contra uma jogadora do Bahia Esporte marcaram o futebol feminino amazonense.
Na última segunda-feira, 8/7, Hugo Duarte, técnico do JC Futebol Clube, equipe de Itacoatiara, foi preso suspeito de racismo contra a jogadora Suellen dos Santos, do Bahia Esporte, em partida realizada em Salvador pela primeira divisão do Campeonato Brasileiro Feminino.
Durante a partida, Suellen foi alvo de insultos racistas por parte do treinador, que a chamou de “macaca”, conforme a jogadora relatou em suas redes sociais.
“A naturalização que se foi proferida mais de uma vez pela expressão racista ‘macaca’ tenta silenciar a minha figura como mulher preta no esporte, porém o ato da denúncia é a arma que tenho para combater o racista”, desabafou a atleta.
Em resposta ao incidente, Hugo Duarte foi preso em flagrante. O JC Futebol Clube emitiu uma nota de esclarecimento, informando que tanto o técnico quanto a atleta foram ouvidos, e que o departamento jurídico do clube foi acionado para analisar a situação.
O técnico teve a liberdade provisória concedida na quarta-feira, 10/7, pelo Tribunal de Justiça da Bahia e deve cumprir diversas medidas cautelares.
Assédio
O caso de racismo não foi o único que marcou o futebol amazonense. No final de junho deste ano, jogadoras do Holanda Esporte Clube realizaram uma denúncia envolvendo o diretor do time, Jones Xavier.
Jogadoras da equipe denunciaram Xavier por assédio sexual e relataram que ele estaria impedindo as atletas de deixarem a capital do Amazonas.

A situação veio à tona quando uma das jogadoras, menor de idade, acusou Xavier de assédio e registrou uma denúncia na polícia. Em resposta ao ocorrido, as demais atletas gravaram um vídeo, que foi amplamente divulgado nas redes sociais, reforçando as acusações contra o diretor.
As jogadoras relataram que, após a divulgação do caso, começaram a receber ameaças. Elas alegaram que estavam sendo impedidas de deixar Manaus, uma vez que Xavier controlava a compra de passagens, o que lhes impedia de retornar às suas cidades de origem.
“Estamos sendo ameaçadas, estamos inseguras. Não conseguimos voltar para casa. A nossa passagem depende de uma pessoa e é essa pessoa que está ameaçando a gente”, disse uma das atletas no vídeo.
O diretor Jones Xavier chegou a negar as acusações e afirmou que não houve qualquer tipo de assédio e que fez um boletim de ocorrência contra a atleta que o acusou.
No dia 2 de julho, A Federação Amazonense de Futebol (FAF) comunicou a desistência do Holanda em participar do Campeonato Amazonense Feminino 2024.
Nota
A reportagem solicitou esclarecimentos da Federação Amazonense de Futebol (FAF) sobre as medidas e ações que estão sendo tomadas para evitar a repetição de situações como essas no futebol local. Em resposta ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a FAF ressaltou que luta diariamente contra qualquer tipo de preconceito no esporte.
Em relação a denúncia realizada pelas jogadoras do Holanda, a federação informou que todas foram acolhidas até que voltassem para os seus respectivos estados.
“Não toleramos misoginia, tanto que ao tomarmos conhecimento da denúncia e da situação em que se encontravam as atletas do Holanda, reunimos nossa diretoria e as resgatamos. No total, acolhemos cinco atletas e o treinador, os colocamos em um hotel, alimentamos e prestamos assessoria jurídica, além de mantê-los em segurança, até o embarque aéreo para seus estados de origem.”, diz a nota.
Sobre a situação ocorrida em Salvador com o técnico do JC Futebol Clube, a Federação destacou que a atitude é inaceitável.
“Somos totalmente contra o racismo e com muito mais fervor, quando ele é cometido contra as mulheres. Elas merecem todo nosso respeito e cuidado. É inaceitável e esperamos que sejam feitas as devidas investigações em ambos os casos e se comprovadas as acusações, os culpados com certeza serão punidos, desportivamente e criminalmente, para que sirva de exemplo, preconceituosos não são aceitos no futebol. O ambiente deve ser saudável, tanto para homens quanto para mulheres e acreditamos que isso seja possível, basta que todos tenham conhecimento e respeitem o espaço do outro.”, frisou.
Ainda de acordo com a Federação, políticas voltadas à inclusão da mulher estão sendo implementadas para evitar situações como essas.
Iniciativas e incentivo
A identidade salientou que toma à frente dessas iniciativas, para que as mulheres entendam que elas não estão sozinhas.
“Em 2027, Manaus será uma das sedes da Copa do Mundo Feminina, um marco histórico que ressalta a importância, o respeito ao futebol feminino e o fomento dessa categoria na nossa região, com toda a visibilidade desse que é o maior evento do futebol feminino mundial. Portanto, cada dia se torna inaceitável comportamentos que venham trazer prejuízos às mulheres.”, acrescentou a FAF.
Em conclusão, a entidade ainda ressaltou que tem sido a grande incentivadora da presença da mulher no futebol amazonense.
“A Federação Amazonense de Futebol é comprovadamente, a Federação mais inclusiva do país, pois não apenas organiza competições, mas também implementa iniciativas que estão garantindo o espaço e o respeito a todas as profissionais envolvidas no futebol, sejam elas dirigentes, jornalistas, atletas, diretoras, funcionárias, árbitras.”, concluiu.






