Vivian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O caso da morte da jovem Jéssica Vitória Canedo, envolvendo o humorista Whindersson Nunes e o perfil de fofoca “Choquei”, tem provocado polarização política, onde a dor da família da vítima é instrumentalizada para embates ideológicos. Direita e esquerda têm protagonizado embates sobre a regulamentação das redes sociais.
O Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, foi um dos que se manifestou sobre a morte de Jéssica. Segundo postagem do titular em suas redes sociais no sábado, 23/12, o trágico desfecho ressalta a urgência de intervenção legislativa para responsabilizar propagadores de inverdades e fake news, clamando por regulamentação nas redes sociais.
“Em menos de um mês este é o segundo caso de suicídio de pessoa jovem – e que guarda relação com a propagação de mentiras e de ódio em redes sociais – de que tenho notícia. Tragédias como esta envolve questões de saúde mental, sem dúvida, mas também, e talvez em maior proporção, questões de natureza política. A irresponsabilidade das empresas que regem as redes sociais diante de conteúdos que outros irresponsáveis e mesmo criminosos (alguns envolvidos na politica institucional) nela propagam tem destruído famílias e impossibilitado uma vida social minimamente saudável. Por isso, volto ao ponto: a regulação das redes sociais torna-se um imperativo civilizatório, sem o qual não há falar-se em democracia ou mesmo em dignidade. O resto é aposta no caos, na morte e na monetização do sofrimento”
Ministro Silvio Almeida
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O ministro destacou que, além das implicações na saúde mental, a tragédia carrega nuances políticas, apontando para a irresponsabilidade das empresas de redes sociais diante de conteúdos prejudiciais.
O deputado federal André Janones, por Minas Gerais, também se pronunciou sobre os casos de compartilhamento de fake news e de usarem politicamente a morte da jovem, além de apelar para uma regulamentação das redes sociais. “Nós vamos esperar mais quantas mortes para regulamentar as redes sociais e começar a responsabilização de usuários e das bigtechs?”, questionou.
Zeca Dirceu, líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, ressaltou a tragédia como mais uma provocada pelas Fake News, apelando para o avanço do PL 2630/2020, conhecida como PL das Fake News.
A oposição, por sua vez, acusa a esquerda de usar a morte da jovem para impor sua agenda de censura das redes, repudiando o PL das Fake News. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a exploração política da tragédia. “Canalhas. Sobem em cima da morte de uma inocente pra pautar censura e agenda política. A esquerda é doente”, publicou em sua conta no X, antigo Twitter.
A deputada federal, Carla Zambelli (PL-SP), alegou que a morte de Jéssica é instrumentalizada para impor agenda de censura. “A esquerda é tão nefasta e desumana que já usa novamente a morte de um inocente para tentar impor sua agenda de censura das redes, tentando impulsionar a aprovação do PL da Censura. O autor dos ataques deve ser responsabilizado e já existe lei para isso. Minha solidariedade à família de Jéssica e que Deus possa consolar seus corações neste momento de dor”, escreveu.
Entenda o caso
A jovem Jéssica Vitória Canedo morreu na sexta-feira, 22/12, em Araguari (MG), vítima de profunda depressão desencadeada pela divulgação de supostas conversas com Whindersson Nunes, propagadas pela “Choquei”.
Jéssica, que enfrentava fobia social, não buscava notoriedade. A mãe, Ines Oliveira, confirmou a morte e informou que o velório ocorreu no sábado, 23.
O administrador da página “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, fechou suas redes sociais após a confirmação da morte, e também apagou as publicações relacionadas ao caso. O comportamento irônico do administrador antes do ocorrido também gerou revolta e repúdio nos seguidores da página.






