Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, avançou e passou a apontar uma sequência de falhas no atendimento médico, que vão além das condutas da médica Juliana Brasil e da técnica de enfermagem Raiza Bentes.
Em atualização sobre o caso, o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que os elementos já reunidos indicam erros sistemáticos e possíveis responsabilidades compartilhadas entre os profissionais que atuaram diretamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“Esses equipamentos [que duas profissionais afirmaram que faltavam na UTI] existiam sim no hospital, porém não foram solicitados pela médica Alexandra Procópio no momento da UTI”, explicou Marcelo Martins, ao detalhar um dos pontos levantados durante os depoimentos colhidos pela Polícia Civil.
Segundo o delegado, havia a possibilidade de administração de uma medicação específica para reduzir os efeitos cardíacos da adrenalina, o que poderia ter estabilizado o quadro da criança. A investigação também aponta falhas atribuídas a outro médico que poderia ter acionado especialistas.
“Há apontamento no sentido de que o médico Luiz Felipe Sordi deveria ter entubado o Benício de imediato, e isso não foi feito. Ele também deveria ter solicitado parecer de especialistas, como o pediatra infantil e o anestesista, o que também não ocorreu”, afirmou Martins.

Outro ponto considerado grave pela investigação envolve a liberação de alimentação para o menino, procedimento que, segundo o delegado, não poderia ter sido autorizado naquele momento. Na sequência, a médica da UTI teria realizado a entubação sem observar que Benício havia se alimentado.
“Ela poderia ter feito previamente um procedimento para retirar o alimento do estômago do Benício e só depois fazer a entubação”, explicou Marcelo Martins, acrescentando que não havia um médico sobressalente disponível para auxiliar caso o procedimento não tivesse sucesso.
Além disso, a polícia aponta que a medicação utilizada durante a tentativa de entubação foi inadequada, já que não houve a correta indução e reversão da sedação. “Foram vários erros”, resumiu o delegado, ao destacar que a soma dessas falhas pode ter contribuído de forma decisiva para o desfecho trágico.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou um posicionamento oficial do Hospital Santa Júlia acerca dos novos elementos de investigação












