Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que o vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil Santos não altera a linha de investigação sobre a morte do menino Benício Xavier, de seis anos.
O vídeo apresentado pela defesa foi entregue durante o depoimento da profissional e tenta demonstrar falhas no sistema eletrônico do Hospital Santa Júlia.
A defesa afirma que a médica reconheceu o erro por agir “no calor do momento” e sustenta que a prescrição de adrenalina intravenosa registrada no prontuário foi resultado de uma falha no sistema da unidade hospitalar.
Apesar disso, o delegado reforça que o conteúdo não altera o direcionamento das investigações, que seguem examinando todas as versões do caso.
A Polícia Civil do Amazonas informou, por meio de nota, que as apurações continuam analisando depoimentos, registros médicos e demais materiais técnicos para determinar as responsabilidades no atendimento que resultou na morte da criança.
“O delegado informou que já foram colhidos diversos depoimentos, além de documentos disponibilizados pelo hospital, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do caso. A PC-AM representou à Justiça pela prisão da médica, de 33 anos, pelo crime de homicídio qualificado doloso”, diz a nota.
No entanto, a Justiça concedeu habeas corpus preventivo, determinando que ela não pode ser presa.
Divergências nos depoimentos
A PC investiga o caso como homicídio com dolo eventual, quando a pessoa tem consciência de que sua conduta pode gerar um resultado criminoso. O delegado Marcelo Martins afirma que há divergências nos depoimentos da médica e da técnica de enfermagem. Segundo ele, uma acareação deve ser realizada para esclarecer as contradições sobre a administração da adrenalina.
O delegado também aponta falhas graves nos protocolos de segurança do hospital: “Percebemos que vários protocolos não foram observados ou não estavam implementados. Isso pode gerar responsabilidade não apenas da médica e da técnica, mas de outras pessoas que deveriam corrigir a falha da prescrição”.
Família pede justiça
Os pais de Benício, a mãe Joyce Freitas e o pai Bruno Freitas, estiveram na Câmara Municipal de Manaus (CMM) na manhã desta quarta-feira, 3/12, onde pediram justiça pelo crime e afirmaram que a morte do menino foi resultado de uma sucessão de erros.
“Eu não falo apenas como cidadão, e sim como pai e mãe que perderam seu único filho, o Benício, que carrega uma dor única no mundo e que não deseja isso para ninguém. No dia 23, ele saiu dentro de um saco preto, após receber 3 ml de adrenalina na veia. Uma dose inadequada para uma criança, que levou a seis paradas cardíacas”, disse Bruno.
A família reforça que o caso de Benício não deve passar em branco, para que outras crianças não sofram o mesmo crime.
A REPORTAGEM entrou em contato com a defesa da médica Juliana Brasil Santos a fim de obter a versão dela, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.












