Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os bois-bumbás Caprichoso e o Garantido publicaram nas redes sociais, nesta quinta-feira, 22/1, uma nota de repúdio e apoio após as agressões, ataques virtuais, comentários maldosos, difamações e manifestações de preconceito sofridas pela cunhã-poranga Marciele Albuquerque, participante do Big Brother Brasil 26.
Em nota, o Caprichoso afirmou que os ataques, muitas vezes mascarados de “rivalidade”, ultrapassam qualquer limite aceitável e revelam práticas de racismo, injúria racial, machismo e violência contra os povos originários.
“Historicamente, as torcidas aprenderam que a rivalidade se expressa na arena, na estética, na criação artística, nunca no ódio. A internet não é terra sem lei, e o discurso de ódio não pode ser normalizado sob nenhuma justificativa. Marciele Albuquerque representa um momento histórico no Festival de Parintins. Ao ser anunciada como item do Boi Caprichoso, a cunhã-poranga deixa de ser apenas representação e passa a ser representatividade”, diz trecho da nota.
Garantido destaca união
O Garantido também se manifestou, ressaltando que nasceu da união do povo, do afeto e da memória, e que, por isso, não pode se silenciar diante de ataques que ferem pessoas, principalmente mulheres, e vão contra tudo o que a associação construiu.
“Nos manifestamos diante dos ataques de misoginia e de racismo recreativo direcionados a Isabelle Nogueira, nossa Cunhã-Poranga; Lívia Cristina, nossa Rainha do Folclore; e Marciele Albuquerque, Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso, hoje participante do BBB 26”, diz trecho da nota.
A nota também reforça que tais atos não podem ser naturalizados, relativizados ou tratados como brincadeira de rivalidade.
“Solidarizamos com Isabelle, Lívia, Marciele e com todas as mulheres que, diariamente, têm seus corpos e suas existências atacadas. Nenhuma mulher merece ser alvo de ódio, humilhação ou desumanização, esteja ela onde estiver”, completa a associação.
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Integrantes do Festival manifestam apoio
A cunhã-poranga e ex-BBB Isabelle Nogueira também comentou sobre a situação, ressaltando que rivalidades fora da arena são profundamente lamentáveis, sobretudo entre mulheres, ainda minoria dentro do Festival.
“Marciele merece respeito e tem a minha torcida! Já vivi — e ainda vivo — agressões virtuais completamente desnecessárias, muitas delas fruto de uma rivalidade que deveria existir apenas dentro do Bumbódromo. Não é fácil ser mulher, nortista, e enfrentar tanta xenofobia, muitas vezes dentro da nossa própria casa, ” disse Isabelle.
A participante da casa de vidro e quadro branco do BBB 26, Rainha do Folclore Lívia Cristina, reforçou em postagem no X (antigo Twitter) seu repúdio a qualquer tentativa de deslegitimar pautas indígenas, reduzir identidades a estereótipos ou usar termos pejorativos para atacar mulheres, especialmente mulheres indígenas.
“Lutas históricas e identidades culturais não são argumento de torcida, nem instrumento de ataque em disputas. Esse tipo de abordagem não me representa e não condiz com os valores que defendo. Peço, com respeito, que meu nome e minha imagem não sejam associados a discursos que reforçam preconceito, desinformação ou violência,,” escreveu Lívia.












