Redação Rios
MANAUS (AM) – Nos últimos anos, medicamentos análogos de GLP-1 – como Mounjaro, Ozempic e Wegovy -, originalmente indicados para tratar diabetes tipo 2, têm ganhado destaque no combate à obesidade.
No entanto, especialistas alertam que seu uso exige orientação médica, especialmente para mulheres em idade fértil, já que os fármacos podem interferir na fertilidade e reduzir a eficácia dos anticoncepcionais orais.
Relatos nas redes sociais, como o da ex-BBB Laís Caldas, mostram casos de gravidez mesmo durante o uso combinado desses medicamentos com anticoncepcionais. Eles funcionam imitando um hormônio natural, regulando apetite, açúcar no sangue e digestão.
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A ginecologista e obstetra Aline Frota, pós-graduada em Ginecologia Endócrina e Medicina da Obesidade, explica como isso ocorre.
“Esses medicamentos podem interferir indiretamente na fertilidade porque afetam o funcionamento dos ovários, diminuindo o apetite, aumentando a saciedade e regulando o açúcar no sangue. Além disso, retardam o esvaziamento gástrico, necessário para a correta absorção dos anticoncepcionais orais. Dependendo do fármaco e da situação clínica da paciente, isso aumenta o risco de uma gravidez não planejada”, alerta a especialista.

Em junho de 2025, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu um alerta para mulheres que utilizam esses medicamentos para emagrecimento.
O órgão recomendou “usar métodos contraceptivos eficazes durante o tratamento e, em alguns casos, por até dois meses após a interrupção, antes de tentar engravidar”.
Alternativas seguras
Segundo Aline, o ideal é trocar os contraceptivos orais por métodos que não passem pelo sistema digestivo, como DIU (hormonal ou de cobre), implante subdérmico ou injeção contraceptiva. “Antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial orientação personalizada, considerando o histórico e as particularidades de cada paciente”, ressalta.
A médica atende na Clínica AMIH (Assistência Materno Infantil Humanizada) e no Instituto Vitasee Emagrecimento e Saúde, que será inaugurado neste mês, com foco no tratamento multidisciplinar da obesidade.
Acompanhamento médico é essencial
Aline enfatiza que os medicamentos análogos de GLP-1 devem ser usados apenas sob supervisão médica. Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes sobre as chamadas “canetas emagrecedoras”, recomendando o uso por adultos, exceto mulheres grávidas, sempre aliado a dieta saudável, atividade física e acompanhamento a longo prazo.
“Obesidade é uma doença crônica e recidivante, que afeta órgãos, metabolismo e saúde psicossocial. Por isso, é fundamental o acompanhamento por equipes multidisciplinares, que enxerguem o paciente além do peso na balança. Nenhum medicamento é uma solução mágica, mas, quando usado corretamente, pode transformar vidas e salvar a saúde das pessoas”, concluiu a especialista.
*Com informações da assessoria












