Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Wegovy, podem recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido, indicam dados publicados na revista científica britânica British Medical Journal.
De acordo com o estudo, pessoas com sobrepeso perdem grandes quantidades de peso ao usar as injeções, cerca de um quinto do peso corporal. Após a interrupção do tratamento, no entanto, recuperam em média 0,8 kg por mês, em ritmo mais acelerado do que aquelas que abandonam apenas dietas convencionais e exercícios físicos.
Ainda segundo o estudo, significa que elas retornam ao peso anterior ao tratamento em cerca de um ano e meio. Em entrevista ao Portal Rios de Notícias, a nutricionista Fernanda Lemos, explica que o principal motivo para as pessoas voltarem a engordar novamente é o choque metabólico e hormonal.
“Esses medicamentos atuam mimetizando hormônios (GLP-1 e, no caso do Mounjaro, também o GIP) que sinalizam saciedade ao cérebro e lentificam o esvaziamento gástrico. Enquanto o paciente usa a medicação, vive em um estado de “fome silenciosa”. Ao interromper o uso, esses hormônios despencam, e o cérebro, que ainda entende que o corpo está em privação, responde elevando a grelina (o hormônio da fome) a níveis altíssimos.” Disse ela.

A especialista ressaltar que o emagrecimento drástico, o chamado de “efeito sanfona”, pode causar riscos metabólicos e nutricionais, como a resistência a insulina.
“O reganho rápido traz riscos específicos, como a piora da composição corporal, o paciente costuma recuperar o peso em forma de gordura (principalmente visceral), mas não recupera a massa muscular na mesma velocidade. Outro risco é a resistência à insulina, esse vai-e-vem hormonal pode bagunçar os receptores de insulina, aumentando o risco de diabetes”, explica a nutricionista.
Para evitar o reganho de peso após o uso das canetas emagrecedoras, a especialista reforça que é necessário um planejamento que deve começar no primeiro dia do tratamento.
“Faça um planejamento desde do início, não quando a medicação acaba. Ter a orientação médico, nutricionista e profissional de educação física é muito importante. As principais estratégias são desmame gradual; aporte proteico elevado: É inegociável e por fim, treino de força. Sem musculação, o rebote é quase certo”, disse ela.
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Febre de emagrecimento
A tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, foi criada para tratar diabetes tipo 2, mas, nos últimos meses, o medicamento virou “febre” entre pessoas que buscam emagrecimento rápido.
Um levantamento feito pela plataforma Conexa Saúde considerou o volume de pesquisas de julho de 2025 no google e mostrou que a busca por esse remédio no país registrou 586 mil pesquisas no período, com 171 mil para o termo “Mounjaro preço”.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, mostram que cerca de 35% da população apresentou algum grau de obesidade em 2024.
O levantamento analisou mais de 26 milhões de pessoas no país e confirma que o problema segue aumentando. O consumo acelerado do remédio, muitas vezes sem orientação médica, tem preocupado profissionais de saúde.






