Redação Rios
BRASÍLIA (DF) – Durante depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 10/6, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou que o então comandante da Marinha, Almir Garnier, tenha colocado tropas da Força à disposição para medidas que revertessem o resultado das eleições de 2022.
A oitiva ocorreu no âmbito da ação que investiga os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023. Bolsonaro foi o sexto dos oito réus a prestar depoimento, e respondeu a perguntas do ministro relator e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Ao ser questionado sobre uma suposta disposição de apoio da Marinha a ações institucionais extraordinárias, Bolsonaro refutou com firmeza.
“Em hipótese alguma. Não existe isso. Se fôssemos entrar em um estado de sítio ou de defesa, as medidas seriam outras. Não havia clima, nem base sólida para isso”, declarou.
O ex-presidente também comentou declarações anteriores sobre o sistema eleitoral. Ele reafirmou seu posicionamento histórico em defesa do voto impresso e negou qualquer ação fora dos limites constitucionais.
“Em nenhum momento agi contra a Constituição. Sempre joguei dentro das quatro linhas. Às vezes me exaltava, falava o que não devia, mas, no meu entendimento, fiz o que precisava ser feito”, disse Bolsonaro.
Ao ser lembrado de uma fala sobre ministros do STF supostamente envolvidos em irregularidades, Bolsonaro minimizou o episódio e pediu desculpas.
“Não há indício nenhum. Me desculpe, não tive a intenção de acusar qualquer desvio de conduta”, afirmou.
Operação da PRF e relatório das Forças Armadas
Sobre a operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições de 2022, Bolsonaro disse que só teve conhecimento dos fatos posteriormente.
“Fiquei sabendo depois, mas soube também que nenhum eleitor deixou de votar”, declarou.
Também negou qualquer pressão sobre o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para a produção do relatório técnico das Forças Armadas enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Jamais pressionei. Não houve qualquer ordem ou interferência minha nesse sentido”, garantiu.
Processo em fase final
A ação penal contra Bolsonaro e outros sete acusados está em fase avançada. O grupo é apontado pela PGR como parte do “núcleo principal” investigado pelos eventos de janeiro de 2023. Os interrogatórios dos réus devem seguir até sexta-feira, 13.
Além de Bolsonaro, já prestaram depoimento Mauro Cid, Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres e Augusto Heleno. Ainda faltam os interrogatórios de Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
O julgamento que decidirá sobre a condenação ou absolvição dos acusados está previsto para o segundo semestre de 2025. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 30 anos.
*Com informações da Agência Brasil






