Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A base governista na Câmara Municipal de Manaus (CMM) se mobilizou para acelerar a tramitação do pedido de empréstimo de R$ 2,5 bilhões solicitado pelo prefeito David Almeida (Avante).
O projeto, enviado à Casa na noite de segunda-feira, 24/3, já entrou na pauta para votação na manhã desta terça-feira, 25/3, em regime de urgência, o que reduz o número de comissões necessárias para análise e acelera sua aprovação.
O líder do prefeito na CMM, vereador Eduardo Alfaia (Avante), articulou a suspensão da sessão plenária para que as comissões de Constituição e Justiça e de Finanças pudessem emitir parecer imediato sobre o projeto. Com isso, a proposta pode retornar ao plenário ainda nesta terça-feira para votação final, permitindo uma aprovação em tempo recorde.
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Críticas e ‘cheque em branco’
A tramitação acelerada gerou fortes críticas da oposição. O vereador Rodrigo Guedes (PP) questionou a falta de prestação de contas de empréstimos anteriores e afirmou que o novo pedido é um “cheque em branco” para a prefeitura.
“A gente não sabe o que foi feito com o valor dos empréstimos. Então é, mais uma vez, dar um cheque em branco para a Prefeitura de Manaus”, criticou.
Guedes também apontou a falta de transparência no projeto, que não detalha quais obras serão realizadas.
“Ele não especifica quais as obras quer fazer. Ele fala aqui de forma totalmente genérica, só para não dizer que só está pedindo dinheiro. Só está passando o chapéu mais uma vez na Câmara Municipal de Manaus”, disse.
O vereador Zé Ricardo (PT) reforçou a necessidade de uma análise mais criteriosa, argumentando que a população será a responsável por arcar com a dívida.
“Temos que tratar isso com seriedade. A urgência não caberia para uma questão que envolve a vida da população de Manaus. É um recurso que o povo vai pagar. Nós, vereadores, vamos autorizar, aprovar, e o prefeito depois faz o empréstimo e deixa para a população pagar. Quem ganha é o banco”, afirmou.
Já o vereador Rodrigo Sá (PP) denunciou a manobra da base governista para antecipar a votação em um dia que, normalmente, não há deliberação de projetos.
“A população precisa entender o que está acontecendo aqui. Hoje não é dia de votação. E aí vem um projeto, dois projetos, que somados dão mais de R$ 2,6 bilhões, sem a Prefeitura prestar contas dos empréstimos anteriores. Em quatro anos, não chegou nem perto dessa pancada que está sendo enfiada goela abaixo dessa Casa”, criticou.
Outro empréstimo em tramitação
Além do empréstimo de R$ 2,5 bilhões, a CMM também analisa outro pedido de financiamento de R$ 145,8 milhões junto ao BNDES. Esse montante seria destinado a melhorias nos sistemas da Secretaria Municipal de Finanças (Semef), reformulação do portal da transparência e modernização da infraestrutura tecnológica da cidade. Entre as iniciativas previstas, está a instalação de um radar para monitoramento de chuvas e mapeamento de cheias.
Somando os dois projetos, a Prefeitura pode contratar mais de R$ 2,6 bilhões em novos financiamentos.
O vereador Coronel Rosses (PL) cobrou a presença de representantes do Executivo para esclarecer a destinação dos recursos.
“Nunca vem um secretário explicar por que estão colocando a mão no bolso da população”, afirmou.
A sessão foi suspensa por volta das 10h45 e deve ser retomada ainda nesta terça para votação dos projetos.






