Júnior Almeida – Rios de Notícias
BARCELOS (AM) – Antes de Manaus se tornar a capital do Amazonas, o centro político, administrativo e simbólico da região era Barcelos, município às margens do Rio Negro e um dos mais antigos do estado. Esta semana a Rede Rios de Comunicação desembarca na cidade para cobrir o 30º Festival do Peixe Ornamental, mas antes traz nesta reportagem um pedaço da memória do lugar.
A história da cidade começa a partir da antiga aldeia indígena de Mariuá, formada por povos Manaós, Baré, Baniwa, Passés e Uerequena. Em 1728, o frei carmelita Matias de São Boaventura instalou no local a ‘Missão de Nossa Senhora da Conceição de Mariuá’, marco inicial do que viria a se tornar Barcelos.
Segundo o historiador barcelense Hamilton Ugarte, a escolha da região teve papel estratégico para a ocupação portuguesa no Médio Rio Negro.
“Em 1758, a aldeia foi elevada à categoria de vila com o nome de Barcelos, em homenagem à cidade portuguesa, e se tornou a primeira capital da Capitania de São José do Rio Negro. A escolha se deu pela posição central e menos vulnerável a ataques”
Hamilton Ugarte, historiador

Hamilton destaca que a elevação à condição de capital impulsionou obras urbanas, igrejas e estruturas administrativas, o que consolidou Barcelos como referência regional. Com o tempo, no entanto, a sede do poder foi transferida para o Lugar da Barra, atual Manaus, o que levou o município a um longo período de decadência.
Leia também: Marciele Albuquerque e Babu Santana destacam talento de profissionais de Parintins no BBB 26
A importância estratégica de Mariuá no século XVIII
O historiador e professor Aguinaldo Figueiredo, em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, aprofunda o contexto de Barcelos capital ao explicar as mudanças administrativas promovidas por Portugal no século XVIII, especialmente durante o governo do Marquês de Pombal.
“A missão de Mariuá ganha importância quando o Estado português passa a reorganizar suas colônias e a Amazônia entra no centro dos tratados internacionais de limites entre Portugal e Espanha”
Aguinaldo Figueiredo, historiador

Em 1755, a Coroa Portuguesa criou a Capitania de São José do Rio Negro, desmembrada do Grão-Pará, e escolheu Mariuá como sede administrativa. Três anos depois, em 6 de maio de 1758, o povoado foi oficialmente elevado à categoria de vila e passou a se chamar Barcelos.
Mesmo com limitações estruturais, a vila passou por reformas e construções que lhe deram caráter administrativo e urbano. “São erguidos prédios públicos, estruturas administrativas e reformas que consolidam Barcelos como capital da capitania”, explica Aguinaldo.
O status de capital, porém, não seria permanente. Ao longo do início do século XIX, a sede do poder foi transferida de forma definitiva para a Barra do Rio Negro, atual Manaus, marcando o início de um período de estagnação para Barcelos.
A retomada viria apenas no século XX, com a presença dos missionários salesianos e o fortalecimento do fluxo regional. Em 1938, Barcelos foi elevada oficialmente à categoria de cidade por decreto estadual.
Maior arquipélago fluvial do mundo
Hoje, o município é um dos mais antigos do Amazonas, com cerca de 28 mil habitantes, segundo o IBGE, e o maior em extensão territorial do estado. Barcelos também abriga o arquipélago de Mariuá, considerado o maior arquipélago fluvial do mundo, além de cachoeiras, serras e uma forte presença indígena.
Berço da pesca esportiva
A identidade histórica se reflete também na economia. De acordo com o historiador Hamilton Ugarte, Barcelos se destaca pelo turismo ecológico, especialmente o turismo da pesca esportiva, e pelo Festival do Peixe Ornamental, criado para celebrar a exportação de espécies como o Acará-Disco e o Cardinal.
“O festival nasceu para comemorar a boa safra do peixe ornamental. Hoje não é mais nossa principal economia, mas ainda movimenta parte importante da cidade, enquanto buscamos novas alternativas com políticas públicas e selo geográfico”, explica.
‘Povo acolhedor’
Durante entrevista ao quadro Rios Entrevista, o prefeito Radinho Alves reforçou o orgulho da população em relação à história e à identidade cultural do município.
“Barcelos foi a primeira capital do estado do Amazonas. Quem vem à cidade encontra um povo acolhedor, uma natureza única e uma história que segue viva”, destacou.
É nesse cenário que acontece, no fim de janeiro, o tradicional Festival do Peixe Ornamental de Barcelos, que chega à sua 30ª edição movimentando a economia, a cultura e o turismo do Médio e Alto Rio Negro.
Cobertura Rede Rios

Com destino ao Alto Rio Negro, a Rede Rios de Comunicação prepara uma cobertura multiplataforma especial do festival, entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro, com conteúdo pela Rádio RIOS FM 95,7, pelo portal e jornal RIOS DE NOTÍCIAS, mostrando os bastidores e os destaques do tradicional duelo entre os peixes Acará-Disco e Cardinal.












