Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Enquanto a Polícia Federal investiga a aplicação de recursos da Fundação Amazonprev no Banco Master, outra movimentação que também chama atenção, são os investimentos do Banco da Amazônia (Basa), na mesma instituição financeira ao longo de 2024, por meio de duas aplicações em letras financeiras.
Em abril daquele ano, o Basa, que é controlado pelo Governo Federal, adquiriu R$ 25 milhões na operação. Dois meses depois, em junho, voltou à mesa com uma nova movimentação, de cerca de R$ 15 milhões no mesmo tipo de título. As informações são do site Estadão.
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Ao Rios de Notícias, o Basa disse que seguiu critérios técnicos e que à época não havia conhecimento sobre riscos.
No total, cerca de R$ 40 milhões do banco público federal pararam numa instituição que, hoje, está no centro de um escândalo financeiro com envolvimento de seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por subornar agentes públicos e montar uma milícia para monitorar, perseguir e intimidar autoridades e jornalistas.
O atual presidente do Banco da Amazônia, Luiz Moreira Lessa, foi uma indicação atribuída ao senador Eduardo Braga (MDB-AM), em 2023. O senador é o mesmo citado também na agenda de contatos do celular de Vorcaro após a quebra de sigilo do aparelho.
Em nota enviada ao riosdenoticias.com.br, a assessoria de Eduardo Braga afirmou que o parlamentar “não tem e nunca teve nenhum tipo de envolvimento, de qualquer natureza, com Daniel Vorcaro ou com qualquer fato relacionado ao caso”.
Entenda o risco do investimento
As letras financeiras usadas como investimentos pelo Basa, são títulos de dívida emitidos por bancos e não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito, o que torna o risco da operação inteiramente do investidor, como é o caso do Basa.
À época, o Master também comercializava CDBs com taxas muito acima da média do mercado, enquanto carregava classificação de risco BBB pela agência Fitch.
As operações chamaram ainda mais atenção atenção porque não era comum um banco estatal, como o Basa, investir em títulos de maior risco, com rating inferior a A, sem a garantia do FGC.
Em outras palavras, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada que protege o dinheiro de clientes em bancos em caso de quebra da instituição.
Se um banco quebra, o FGC pode reembolsar o investidor em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, em produtos como CDB, LCI e LCA.
Caso Amazonprev
O caso vem à tona após a deflagração da Operação Sine Consensu, da Polícia Federal na última sexta, 6. A investigação apura possíveis irregularidades na gestão da Amazonprev, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do Amazonas.
Segundo as apurações, cerca de R$ 390 milhões do fundo teriam sido aplicados em letras financeiras de instituições privadas entre junho e setembro de 2024, parte deles direcionada ao próprio Master, que teve suas operações encerradas pelo Banco Central em novembro de 2025.
Basa se manifesta
Procurado pela reportagem, o Basa informou que as decisões foram baseadas em documentos oficiais, balanços auditados e informações disponíveis no mercado à época, que indicavam avaliação de risco compatível com instituições financeiras consideradas sólidas.
A instituição acrescentou que, no período dos investimentos, não havia conhecimento de fatores que apontassem risco relevante ou que antecipassem o processo que culminou na liquidação da instituição financeira.
Leia a nota na íntegra
“O Banco informa que realizou investimentos custodiados no Banco Master ao longo dos anos de 2023 e 2024, sempre em estrita observância aos critérios técnicos e regulatórios vigentes. À época dos aportes, todas as análises internas foram conduzidas com base nos documentos oficiais, balanços auditados e informações disponibilizadas ao mercado, os quais indicavam rating consistente e compatível com instituições financeiras sólidas.
É importante destacar que, naquele período, não havia conhecimento de qualquer fator material que pudesse indicar risco relevante ou iminente, tampouco sinais que antecipassem o processo que culminou na liquidação da instituição. Todas as decisões de investimento foram tomadas com base em informações públicas, diligência técnica e boas práticas de governança.
O Banco segue acompanhando os desdobramentos do caso junto às autoridades competentes e permanece comprometido com a transparência, a segurança de seus clientes e o cumprimento integral das normas regulatórias. Para mais informações, nossa assessoria de imprensa está à disposição”.
Banco da Amazônia






