Letícia Rolim – Rios de Notícias
Avó de recém-nascido, que morreu horas depois do parto, acusa o prefeito Lúcio Flávio (PSD), do munícipio de Manicoré, a 331 quilômetros de Manaus, de humilhá-la e não ajudar seu neto após negligência médica, no Hospital Hamilton Maia Cidade, nesse último final de semana.
Segundo a família, a equipe médica também teria cometido erros no atendimento, atrasando diagnósticos e tratamentos essenciais que poderiam ter salvado a vida da criança.
“Não realizaram todos os procedimentos. Os médicos demoraram para fazer o parto e, depois que o bebê nasceu e começou a passar mal, não enviaram o avião. O prefeito distratou a família que estava em pânico”, disse a fonte próxima à família, que não quis se identificar.
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Entenda o caso
Ainda conforme a fonte, na manhã de domingo, 3/3, a mãe do bebê deu entrada no hospital devido à perda de líquido.
“Ela ficou internada em observação durante o dia e, à noite, o parto foi realizado. No entanto, após o nascimento, surgiram complicações médicas com o recém-nascido e ele precisou ser encaminhado, com urgência, por meio de transporte aéreo, para Manaus”, relatou a testemunha.
Contudo, o transporte aéreo só foi autorizado no dia seguinte, na última segunda-feira, 4/3. Nesse meio tempo, o recém-nascido faleceu no município. A família acusa a unidade hospitalar da região de negligência médica e a avó alega ter sido humilhada pelo prefeito da cidade, Lúcio Flávio (PSD).
Negou o avião
A avó da vítima relatou que durante uma reunião com o prefeito de Manicoré, foi distratada, ao invés de receber apoio e esclarecimentos.
“Ele negou o avião para o transporte do corpo da criança, e a família teve que pagar o translado do corpo pra fazer o velório”, disse a testemunha.
A equipe de reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o prefeito Lúcio Flávio para obter esclarecimentos sobre o relato da da família, que enviou uma nota da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Manicoré – mas, não realizou nenhum comentário confirmando ou negando as alegações da avó da criança.
Nota da Secretaria
A Secretaria Municipal de Saúde do Município de Manicoré publicou uma nota explicando as circunstâncias da morte da criança e a conduta do hospital.
No esclarecimento, o hospital alega que a mãe chegou no domingo, 3/3, com perda de líquido, mas sem estar em trabalho de parto, o que foi ocorrer apenas de noite, e que desde então foi acompanha pela equipe médica.
“A genitora (mãe) do RN deu entrada às 11 horas do dia 03/02/2024 no Hospital Hamilton Maia Cidade, com perda de líquido, aproximadamente, desde às 7 horas daquele mesmo dia. Assim, foi atendida e avaliada, porém constatou-se que ainda não estava em trabalho de parto. Seguindo, na ocasião foi realizada USG com Doppler de umbilical que constatou parâmetros normais do feto. Dessa forma, achou-se melhor deixá-la internada para acompanhar a evolução do parto, que ocorreu de forma rápida, eis que se deu a partir das 20:45/horas.”
Trecho da nota da Secretaria Municipal de Saúde do Município de Manicoré
Segundo a nota, foi recomendado que o parto fosse cesariana, e o recém nascido nasceu com algumas complicações. Após a situação ser estabilizada, foi solicitado que fosse feita a transferência do bebê para a capital.
“Foi recomendado pelo médico uma Cesariana, a qual foi realizada da melhor forma e não houve intercorrências. No entanto, o RN nasceu com algumas complicações. Assim, após os adequados trabalhos médicos, conseguiu-se estabilizá-lo, em seguida, solicitou-se UTI aérea de emergência, a qual foi aceita, eis que foi respondido que viria pela manhã do dia 04/03/2024”, relatou a secretaria.
No entanto, o recém-nascido voltou a apresentar pioras durante o tempo em que ficou no hospital, e que mesmo após tentativas de estabilização, teve uma piora no quadro. Ainda conforme a nota de esclarecimento, durante o trajeto para a capital, a criança apresentou padrões de instabilidade e não conseguiu chegar até o destino.






