Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Funcionários terceirizados que atuam na Fundação Dr. Thomas, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul de Manaus, denunciaram novamente atrasos de salário por parte de duas empresas prestadoras de serviço.
Segundo uma denunciante, a empresa Moara (Aj Mão de Obra Terceirizada em Serviços Ltda.) não pagou nenhum funcionário até o momento.
Ela afirma que, além da ausência de justificativa formal, os trabalhadores estão sem vale-refeição e muitas vezes dependem de doações de colegas para se alimentar. “Se não fosse a colaboração de algumas pessoas no plantão de 12h, muitos ficariam sem comer”, relata.
Em outubro, a mesma denunciante já havia informado que os funcionários ficaram dois meses sem receber no mês de agosto. Os trabalhadores afetados pertencem às empresas Aj Mão de Obra Terceirizada em Serviços Ltda. e Rufo Facilities.
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Dificuldades financeiras e falta de assistência
De acordo com a denunciante, os funcionários da Moara atuam como auxiliares de serviços gerais, cuidadores de idosos e maqueiros. Muitos seguem sem receber e afirmam que a empresa atribui o problema a transtornos bancários, justificativa que é contestada pelos trabalhadores. “Isso é papo, meu aplicativo do banco está normal”, disse um funcionário da Rufo.



Outra funcionária da Rufo Facilities afirma estar há quase dois meses sem salário e que o pagamento referente ao mês atual também não foi feito. “Eles pagam um mês e deixam outro em aberto”, conta.
Uma trabalhadora da Moara relatou que, embora ainda não esteja em situação crítica, teme que o atraso se agrave. “E ainda ficam contratando mais gente, se nem os antigos conseguem receber… Se o salário tá assim, imagina o décimo”, desabafa.
Segundo outra denunciante, diversos funcionários enfrentam dificuldades para pagar contas e aluguel. “Para piorar, estão punindo trabalhadores com trocas de horário”, afirma.
Ela acrescenta que a empresa cobra “humanização”, mas pune funcionários que, segundo ela, cumprem suas obrigações, o que já motivou muitos a pedirem demissão. “Muita gente saiu porque não tinha como trabalhar durante o dia”, contou.
Com a proximidade do fim do ano, os terceirizados temem que a situação fique ainda pior. “Se duvidar, muita gente pode passar o Natal sem nada”, afirma uma funcionária.
Humilhação e recorrência das denúncias
Uma colaboradora da Rufo Facilities relatou que, por falta de salário e de vale-refeição, muitos funcionários precisam recorrer à cozinha da instituição para pedir comida. “Não temos resposta sobre nosso pagamento nem sobre o vale”, afirma.

Ela lembra que as denúncias são recorrentes e que a empresa frequentemente atrasa meses de salário.
Sobre as empresas
A Moara, registrada sob o CNPJ 27.300.738/0001-20, foi fundada em 2017, tem sede no bairro Adrianópolis e tem como atividade principal a limpeza de prédios e domicílios.
A empresa possui extensa lista de atividades secundárias, que vão desde confecção de vestuário até comércio atacadista de alimentos e atividades paisagísticas. A sócia registrada é Regiane Lopes de Almeida Sena.
A Rufo Facilities, de CNPJ 37.197.948/0001-99, foi fundada em 2020 e tem sede em Manaus. Sua atividade principal é o comércio varejista de artigos de papelaria, embora seu CNAE inclua atividades de limpeza em prédios e domicílios — área em que atua na Fundação Dr. Thomas.
Contratos com a Prefeitura de Manaus
A empresa mantém dois contratos ativos com a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação de Apoio ao Idoso, ambos firmados em 2025.
O primeiro prevê serviços de maqueiro e cuidador de idosos, com fornecimento de mão de obra e materiais, iniciado em maio de 2025 e encerrado em agosto do mesmo ano, no valor de R$ 7.565.129,28.


O segundo abrange serviços de limpeza, conservação, higienização — inclusive hospitalar — além de jardinagem e atividades operacionais, iniciado em junho de 2025 e com vigência até dezembro do mesmo ano, no valor de R$ 3.688.738,38.
Outro contrato, mais recente, de número 003/2025, também firmado com a Rufo Serviços, prevê prestação de serviços de maqueiros e cuidadores, no valor de R$ 15.266.720,17, com vigência entre 12/08/2025 e 12/08/2026.
Os altos valores contrastam com a realidade dos funcionários, que afirmam enfrentar atrasos salariais e ausência de respostas por parte das empresas.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, com a Moara, com a Rufo Facilities e com a Fundação Dr. Thomas, mas ainda não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.






