Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Largo São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, organizações indígenas, movimentos sociais, coletivos socioambientais e representantes culturais realizaram, na terça-feira, 24/2, o Ato em Defesa dos Rios e dos Povos da Amazônia. A mobilização também marcou a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que autorizava a concessão de hidrovias na região amazônica, incluindo trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
A suspensão do decreto ocorreu após mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais do Pará, que pressionaram contra a medida.
Em entrevista ao Rios de Notícias, o ativista Matheus Amazônia afirmou que o ato teve relevância simbólica e política.
“É um tema delicado quando se fala em desestatização. Trouxemos a reflexão sobre o quanto isso pode ser prejudicial às populações tradicionais e à nossa soberania. Privatizar um rio abre precedentes perigosos para a privatização de outros bens comuns. Defendemos o direito socioambiental dos rios e os direitos da natureza, garantidos pela nossa Constituição”, declarou.

Segundo ele, os rios da Amazônia podem impulsionar o desenvolvimento quando associados a práticas sustentáveis.
“Os rios são vetores de desenvolvimento se estiverem ligados ao turismo responsável, de base comunitária, com incentivo ao cooperativismo e à economia solidária, criativa e popular”, destacou.

O ativista também criticou intervenções consideradas agressivas ao meio ambiente. “Somos contra a privatização dos rios, contra dragagens excessivas e obras de infraestrutura que agridem a natureza”, reforçou.
O Garantido foi o único bumbá presente no ato realizado em Manaus, sendo representado por Izabel Munduruku jovem indígena ativista que trouxe o Boi para o ato representado por integrantes da Comissão de Artes, pela porta-estandarte Jeveny Mendonça e pelo tripa Batista Silva. O grupo reafirmou apoio às pautas ambientais e aos direitos dos povos indígenas.
A mobilização reuniu manifestantes em defesa dos rios amazônicos e contra medidas que, segundo os organizadores, colocam em risco o patrimônio natural e os direitos coletivos da região.






