Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O escritor Rafael Zoehler conquistou o prêmio em uma das categorias do 67º Prêmio Jabuti de Literatura com a obra As Fronteiras de Oline. A cerimônia, organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), ocorreu nesta segunda-feira, 27/10.
Zoehler, 39 anos, nasceu no Rio Grande do Sul, cresceu em Manaus, onde estudou do ensino fundamental à universidade, e atualmente mora em São Paulo, trabalhando como redator publicitário.
O autor disputou a categoria Romance de Entretenimento, concorrendo com outras quatro obras, e acabou sendo premiado com seu livro. O Jabuti premia 23 categorias, incluindo Literatura, Não Ficção, Produção Editorial, Inovação e o aguardado Livro do Ano, que reconhece a melhor obra entre Literatura e Não Ficção.
Reconhecimento
Ao receber o prêmio, Rafael Zoehler confessou não ter conseguido descrever a sensação do momento. “Não lembro de nada além do instante em que abriram o envelope e anunciaram o nome do meu livro. Para mim, escrever é algo muito pessoal, quase egoísta. Então, o reconhecimento do Jabuti é um convite para insistir na literatura”, afirmou.

O livro nasceu como uma crítica ao próprio trabalho e à forma como ele pode ocupar toda a vida de uma pessoa, alertando sobre o risco de se tornar uma “pessoa-função”, definida apenas pelo que faz em horário comercial. “Esse foi o começo, mas durante o processo de escrita o livro me levou a outros lugares. O Senhor Oline foi viajando, e eu fui junto”, explicou.
O autor também compartilhou uma dica que o ajudou: dar um tempo para o texto descansar. “Quando terminei a primeira versão e revisei, achei tudo horroroso. Deixei o texto de lado por seis meses e, ao voltar, já gostava novamente do que estava na página”, disse.
Literatura de Entretenimento
Zoehler afirmou ter escolhido inscrever As Fronteiras de Oline na categoria Romance de Entretenimento por considerar a categoria Romance Literário “sisuda demais”.
Para ele, a obra é como uma fábula, ou um conto de fadas para adultos. “Esse Jabuti prova que é possível aliar a forma do texto a uma história cativante”, destacou.

O autor ressaltou ainda que o prêmio chegou em boa hora, mostrando que há vida fora do escritório, e aconselhou jovens escritores a confiar no processo. “O escritor e professor Joca Reiners Terron disse em sua oficina ‘A Arte e o Desastre do Romance’: você escreve o livro que pode escrever. Isso foi libertador de ouvir”, afirmou.
Orgulho familiar
Karina Gonçalves, 59, docente de Publicidade da Fametro e de Design de Moda da Faculdade Santa Teresa, relatou que foi uma emoção enorme receber a notícia da vitória do filho. “Um orgulho imenso ver o talento de um filho reconhecido por um prêmio tão importante. Esse livro é fruto de muito esforço, dedicação e amor pela escrita”, disse.

Ela ainda contou que a obra foi indicada aos Prêmios Candango de Literatura e São Paulo de Literatura 2025, e a família aguarda novas premiações. Karina lembrou que Rafael começou a escrever com o conto Testado em Animais. “Só a indicação já é uma vitória. A premiação é a coroação”, concluiu.






