Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Artistas de diversos segmentos culturais do estado do Amazonas realizaram uma manifestação pacífica em frente ao Palácio da Justiça, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro Histórico de Manaus, na tarde desta quinta-feira, 30/1. Com a intervenção intitulada “Não ao Retrocesso na Cultura”, o grupo expressou sua insatisfação com os rumores sobre possíveis mudanças na Secretaria de Cultura do Estado.
Os manifestantes destacaram que a Secretaria de Cultura não deve ser tratada como um “cabide de emprego” ou como um “balcão de negócios”.
A mobilização surgiu a partir de especulações de que o ex-presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Caio André (União Brasil), poderia ser nomeado para o cargo de secretário de Estado da Cultura. No entanto, o governador Wilson Lima negou a informação e disse que nenhuma mudança será realizada. “Eu não tomei nenhuma decisão a respeito disso. Qualquer coisa que estão falando sobre isso é boato, de fato”, afirmou o governador.

A atriz e produtora Rosa Malagueta, uma das vozes da manifestação, criticou a possibilidade de mudança no comando da pasta cultural.
“Nossa cultura não é cabide de emprego. Trocar um time que tem trabalhado para a engrenagem funcionar, como o Cândido, que está fazendo isso de maneira eficaz, é um risco enorme. Temos vários editais em andamento, e uma troca de comando agora seria muito prejudicial”, disse Rosa.
Ela também fez referência à possível nomeação de outras figuras, como Brenda Dianá, de Parintins, que, segundo ela, não têm a experiência necessária para o cargo.

Os artistas exigem a permanência de Cândido Jeremias Cumarú Neto, atual secretário de Cultura, e defendem que ele continue à frente da pasta para garantir a continuidade dos projetos culturais em andamento. “Se colocarem alguém que não entende de cultura ou que tenha uma trajetória duvidosa na área, será um retrocesso. Reverter tudo o que foi feito até aqui seria um golpe para os artistas e para a cultura do estado”, argumentou Rosa Malagueta.
A produtora cultural Verlene Mesquita também se manifestou, destacando os avanços nas leis de incentivo à cultura e a interrupção desses processos com a saída do ex-secretário Marco Apollo Muniz.

“Tivemos avanços significativos nas políticas de incentivo cultural, mas houve uma pausa abrupta com a saída do Marco Apollo Muniz. Agora, com os rumores sobre uma possível mudança, sentimos que tudo o que conquistamos pode ser perdido. A secretaria está no meio de vários editais e projetos importantes, e colocar outra pessoa no comando neste momento seria um retrocesso irreparável”, destacou Verlene, pedindo ao governador Wilson Lima que abra espaço para um diálogo com os artistas.
Para os manifestantes, a troca no comando da Secretaria de Cultura não tem justificativa plausível e seria apenas um retrocesso político. “Não podemos permitir que decisões políticas interfiram no desenvolvimento cultural que estamos construindo”, concluiu Verlene Mesquita.






