Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, relatou ter passado a receber ameaças nas redes sociais após mudanças anunciadas pela plataforma de jogos Roblox.
Os relatos foram publicados na madrugada desta quinta-feira, 15/1, e chamaram atenção pelo teor agressivo das mensagens. Segundo Felca, os ataques chegaram por meio do Instagram e teriam sido enviados por usuários que se identificam como crianças.
Em uma das mensagens divulgadas, o autor escreve: “Todo mundo do Roblox está ficando doido, dizendo que você deixou a gente sem chat” e, em seguida, “Felca, eu vou te matar” em um outro trecho.


A repercussão acontece após o Roblox anunciar novas regras para o uso do chat, com restrições mais rígidas voltadas ao público infantil. A plataforma passou a exigir verificação de idade e limitou a comunicação entre usuários de faixas etárias diferentes.
As mudanças foram divulgadas no último dia 7 e provocaram uma série de protestos virtuais dentro do próprio jogo. Apesar de não ter relação direta com a decisão da empresa, Felca se tornou alvo de críticas por jogadores do Brasil.



Vale ressaltar que o influenciador já ganhou projeção nacional em 2025 ao denunciar a adultização infantil nas redes sociais, trazendo à tona a exposição precoce de crianças e adolescentes a comportamentos, linguagens e situações típicas do universo adulto.
Mas o que mudou no Roblox?
Com as novas regras, os usuários precisam comprovar a idade por meio de verificação facial para utilizar o chat. Crianças menores de nove anos só podem acessar a ferramenta com autorização dos responsáveis. Confira o passo a passo a seguir:
Usuários com mais de 13 anos podem conversar apenas com perfis de idades próximas. Segundo a empresa, a medida busca evitar que crianças e adolescentes tenham contato direto com adultos dentro da plataforma.
Impactos psicológicos em crianças
Para além da polêmica e das ameaças, o episódio levanta um alerta sobre os impactos psicológicos do uso excessivo de jogos online por crianças e adolescentes. O Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu o psicólogo e docente Natanael Braga, especialista em Terapia Cognitiva.
Segundo ele, jogos online fazem parte da vida social dos jovens, mas o problema surge quando o uso deixa de ser equilibrado.
“Essas plataformas funcionam como espaços de socialização e pertencimento, mas quando passam a ocupar a maior parte do tempo e do espaço emocional do jovem, podem surgir prejuízos comportamentais.”
Natanael Braga, psicólogo

O psicólogo ressalta que ambientes virtuais com forte estímulo à competição, recompensas imediatas e pouca supervisão podem reforçar comportamentos impulsivos e agressivos.
“Chats abertos e comunicação direta favorecem pressões sociais, comportamentos tóxicos e respostas emocionais extremas”, afirma.
No caso do Roblox, Natanael avalia que os protestos e ameaças contra Felca podem refletir baixa tolerância à frustração e dificuldades de regulação emocional, comuns em fases do desenvolvimento infantil e adolescente.
“Crianças e adolescentes ainda estão construindo o controle de impulsos. Mudanças em ambientes percebidos como espaços de pertencimento podem gerar reações defensivas e até agressivas”, analisa.
Ele ressalta que não se trata de demonizar os jogos.“Não há evidências de que jogos sejam automaticamente prejudiciais. Eles podem estimular raciocínio, cooperação e socialização. O risco está no uso excessivo, sem limites claros e sem mediação adulta”, alerta.
Alerta da Polícia Civil
Em declaração pública, o delegado Paulo Mavignier, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), chamou atenção para o uso do Roblox por criminosos como porta de entrada para o aliciamento de menores.
“Nem todo avatar é criança e nem todo jogador está lá pra brincar. O Roblox é uma das portas mais usadas por criminosos para se aproximar de menores”, afirmou.
Paulo Mavignier, delegado
Segundo o delegado, o chat aberto e as mensagens privadas facilitam a criação de vínculos de confiança, que podem evoluir para pedidos de fotos ou migração da conversa para outras plataformas.
“Isso é aliciamento. Verifique se o chat está desativado, monitore com quem a criança joga e converse sobre os riscos. Seu filho pode até saber jogar, mas quem tem que saber proteger é você”, reforçou o alerta aos pais.
Para a Polícia Civil, o jogo pode parecer inofensivo, mas, sem supervisão, pode ser o início de traumas graves para uma criança ou adolescente.
Saiba como denunciar
Casos suspeitos de exploração infantil, pedofilia ou crimes digitais podem ser registrados em qualquer delegacia, além dos canais:
- Disque 100
- Disque 181
- SaferNet (www.safernet.org.br)












