Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A manifestação oficial da Prefeitura de Manaus negando qualquer envolvimento na Operação Erga Omnes acabou gerando forte repercussão nas redes sociais nesta sexta-feira, 20/2. Embora o Executivo municipal tenha afirmado que não é alvo da investigação, internautas passaram a questionar o posicionamento, especialmente pelo fato de uma ex-integrante do alto escalão da gestão estar entre os presos.
A operação investiga um “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho, que, segundo as autoridades, trocava informações sobre pagamentos e decisões judiciais no estado. Entre os alvos está Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida.
Em nota, a Prefeitura declarou que não é alvo da operação e classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de distorcer fatos para criar “narrativas mentirosas”. A gestão afirmou ainda que mantém compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições.
Apesar da negativa, o posicionamento foi alvo de críticas imediatas. Nos comentários publicados nas redes sociais, moradores questionaram a rapidez da resposta e a relação da investigada com a administração municipal.
“A investigação é contra a ex-chefe de gabinete pessoal do prefeito, mas ele não tem nada a ver, nunca viu, nunca soube, nunca ouviu falar”, ironizou um internauta.

Outro comentou: “Se não têm nada a ver, por que está se explicando? Parece só a ponta do iceberg”.
Também houve críticas quanto à agilidade da manifestação pública. “Pra se dizer inocente eles são rápidos. Era para ter essa rapidez toda em algo pró população”.

As reações refletem um clima de desconfiança entre parte da população, que cobra esclarecimentos mais detalhados sobre o vínculo funcional da ex-chefe de gabinete com a administração.
Ex-chefe de gabinete acumulou R$ 586 mil em salários
Presa na Operação Erga Omnes, Anabela Cardoso Freitas recebeu, entre 2021 e 2025, pelo menos R$ 586.463,85 em remuneração líquida paga pela Prefeitura de Manaus.
Durante o período, ela ocupou diferentes cargos na estrutura municipal. Entre 2021 e 2022, atuou como secretária executiva no gabinete pessoal do prefeito. Em 2023, exerceu função de coordenação, com registro de “disposição a outras esferas” e recebimento de verbas indenizatórias. Já em 2024 e 2025, passou a integrar a Comissão Municipal de Licitação, em cargo comissionado vinculado à Casa Civil.
Segundo as investigações, o grupo alvo da operação mantinha estrutura organizada para distribuição de entorpecentes e ocultação de recursos ilícitos. A ação contou com apoio de forças de segurança de outros estados e incluiu cumprimento de mandados judiciais e bloqueio de bens.
Enquanto a Prefeitura sustenta que não há envolvimento institucional, parte da população segue cobrando explicações mais claras sobre a atuação da ex-integrante da gestão e os desdobramentos do caso.






