Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Prefeitura de Manaus comunicou neste domingo, 22/10, que fará a remoção da pintura da ciclofaixa feita nas históricas pedras portuguesas, no calçadão do Complexo Turístico Ponta Negra, na zona Oeste da capital. O anúncio da medida aconteceu após inúmeras criticas de arquitetos e urbanistas contra a intervenção.
A reversão da pintura foi anunciada nas redes sociais pelo secretário de Infraestrutura (Seminf), Renato Júnior. Ele destacou que serão instaladas novas pedras no lugar na cor vermelha.
“O Prefeito acaba de determinar que seja removida a pintura de cima da pedra portuguesa, e a Seminf fará. Já contactamos uma empresa terceirizada, que substituíra por pedras portuguesas da cor adequada. Não custará nada mais para a prefeitura”
Renato Júnior, secretário da Seminf
Nota de Repúdio
A medida foi anunciada após uma ‘enxurrada’ de críticas por parte da população, de políticos e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU-AM), uma vez que as pedras portuguesas possuem valor patrimonial no projeto de um dos principais cartões-postais da cidade.
Em nota de repúdio, o CAU pede a reversão da iniciativa “sob pena de tornar-se o dano, irreversível”.
A Manifestação Pública destaca forte indignação dos arquitetos e urbanistas por avaliarem a pintura da ciclofaixa “inadequada e desrespeitosa com o patrimônio histórico-cultural” da capital amazonense.
Para que seja feita qualquer alteração no local, o calçadão, considerado cartão-postal de Manaus e integrado por pedras históricas de origem portuguesa, deve passar, de acordo com o CAU e entidades, por estudos técnicos, os quais se baseiam por “aspectos estéticos, históricos e principalmente, respeitando os direitos autorais de quem tecnicamente idealizou o que hoje se tornou nosso principal ponto turístico”.
“Exigimos que a Prefeitura de Manaus reveja essa intervenção e adote medidas para a recuperação do calçadão da Ponta Negra sob pena de tornar-se o dano, irreversível. É imprescindível que sejam realizados estudos técnicos especializados para a preservação adequada desse patrimônio, que é de interesse de toda a população de Manaus”, trecho da nota do Conselho.
Nas redes sociais, a pintura sob as pedras do calçadão foi duramente criticada por especialistas. Em um vídeo que circula nas redes sociais, o arquiteto, urbanista e presidente do CAU, Jean Faria, demonstra surpresa e indignação com a faixa vermelha que encobre uma grande extensão da área. Isso porque a Ponta Negra foi pensada e desenhada a partir das pedras portuguesas.
“As pessoas esquecem o que é arquitetura e urbanismo fazendo um absurdo deste pintando a pedra portuguesa de vermelho. É inacreditável o presente que a prefeitura dá para a cidade de Manaus no aniversário dela”
Jean Faria, presidente do CAU
História
O calçadão da Praia da Ponta Negra é composto por pedras de calcário e basalto português. O trajeto é constituído por aproximadamente 5 quilômetros que contam com desenhos semelhantes à paisagem do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões. O trecho também é similar ao famoso calçadão do Rio de Janeiro.
Projeto alterado
A gestão anterior de Arthur Neto, na Prefeitura de Manaus, também enfrentou duras críticas por uma implementação inadequada de uma ciclofaixa. Na época, ela foi instalada no canteiro central da avenida Boulevard Álvaro Maia. Originalmente, o projeto inicial apresentava o desenho de uma ciclovia, na mesma altura da calçada, com segregadores para a proteção dos ciclistas.
No entanto, a obra entregue por Arthur Neto se restringiu a pintura de uma ciclofaixa que restringia a calçada para pedestres. A iniciativa custou aos cofres públicos cerca de R$ 22,8 milhões.






