Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Aeroclube do Amazonas (ACA), que há 85 anos forma pilotos e garante parte essencial da aviação regional, está prestes a perder o espaço onde funciona, no aeródromo de Flores, zona Centro-Sul de Manaus. Uma decisão judicial determinou a desocupação da área, após uma disputa com a Infraero, responsável pela administração do local.
A ordem de despejo, emitida no dia 14 de outubro, deu apenas cinco dias para a saída definitiva do Aeroclube. A direção da instituição, presidida pelo aviador Cassiano Ouroso, afirma que a medida “pegou todos de surpresa” e ameaça encerrar uma história que começou ainda na década de 1940.
De acordo com o presidente Ouroso, o problema começou em 2023, quando a Infraero assumiu a gestão do aeródromo. Desde então, surgiram conflitos por valores de ocupação e cobranças retroativas que, segundo ele, somam mais de R$ 1,3 milhão. A instituição alega que construiu boa parte das estruturas usadas até hoje, como hangares e salas de aula, e que nunca deixou de prestar um serviço público essencial.
“O Aeroclube sempre foi parte da aviação amazônica. Aqui formamos pilotos, realizamos resgates e atendimentos emergenciais para o interior do estado. Hoje, estamos sendo sufocados”, disse Cassiano.
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O presidente afirmou ainda que a Infraero passou a limitar o acesso às dependências e dificultar as atividades do Aeroclube, o que agravou a crise financeira da instituição nos últimos anos. A direção tenta reverter a decisão na Justiça e buscar apoio de autoridades locais e federais.
O presidente do ACA ainda destacou o papel importante do Aeroclube, que funciona como um Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC), que ajuda na formação de novos pilotos, sendo a única escola de aviação do Amazonas a operar. “Temos uma relevância muito importante para a aviação daqui”.
Um símbolo da aviação na Amazônia
Fundado em 30 de abril de 1940, o Aeroclube do Amazonas é reconhecido como um dos mais antigos e importantes centros de formação aeronáutica do país.
Além de formar centenas de pilotos, o espaço abriga operações de resgate aéreo e transporte de pacientes vindos do interior, um serviço vital em um estado onde muitas comunidades só têm acesso por via aérea.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS visitou o local em 2 de fevereiro deste ano, durante uma reportagem especial sobre a história e o papel do ACA. Na ocasião, Cassiano Ouroso destacou que 90% das operações de resgate e transporte médico no estado partem ou passam pelo Aeroclube.

“A localização do ACA facilita o atendimento emergencial. Em minutos conseguimos chegar a qualquer hospital de Manaus”, explicou o presidente.
A reportagem também mostrou que o Aeroclube oferece cursos de formação de pilotos, aulas de paraquedismo, aeromodelismo e até voos panorâmicos sobre a cidade, atividades que ajudam a manter viva a cultura aeronáutica no Amazonas.
Veja reportagem
O que acontece agora
O Aeroclube convocou uma coletiva de imprensa para às 10h desta manhã, onde deve detalhar os próximos passos e a situação jurídica da entidade.
A direção pretende apresentar documentos, esclarecer a disputa com a Infraero e reforçar o pedido de apoio público para evitar o fechamento do espaço.






