Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante o anúncio de sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas, nesta segunda-feira, 23/2, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou que sua gestão não foi alvo de operações da Polícia Federal (PF).
No entanto, desde o início do primeiro mandato, a administração já enfrentou diversas investigações e operações envolvendo a Prefeitura de Manaus.
O caso mais recente foi revelado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) durante a Operação Erga Omnes, deflagrada na última sexta-feira, 20, quando Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete de David Almeida, foi presa preventivamente.
Durante a coletiva, Almeida defendeu Anabela Cardoso, ressaltando que a ex-chefe de gabinete estaria sendo injustamente atacada. “Eu vi a Anabela ser execrada nas redes sociais. Um absurdo o que estão fazendo com ela!”, disse.
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Operação Entulho
Em 2023, a gestão de David Almeida foi alvo da Operação Entulho, que investigou um esquema de sonegação fiscal envolvendo empresas de limpeza pública em Manaus.

O inquérito envolveu o vice-prefeito Renato Jr. e o secretário municipal de Limpeza Pública, Sabá Reis, e apurou movimentação suspeita de R$ 245 milhões, com fraudes em licitações e uso de 31 empresas de fachada vinculadas às empresas Soma e Tumpex.
Operação Dente de Marfim
A Operação Dente de Marfim resultou na execução de 16 mandados de busca e apreensão em empresas e escritórios de advocacia suspeitos de fraudes em contratos de limpeza pública.

A investigação apura crimes como organização criminosa, sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, fraude e lavagem de dinheiro. Telefones grampeados indicaram que David Almeida e sua irmã, Dulce Almeida, teriam recebido propina para favorecer a empresa Tumpex em licitações.
Sorteio de casas populares
Em 2021, Dulce Almeida foi investigada por alterações na lista de famílias aptas a receber apartamentos populares no residencial Manauara 2, programa habitacional da Prefeitura em parceria com o governo federal. Entre os contemplados estavam familiares da filha do prefeito, assessores e empresários.
O caso gerou repercussão nacional, e Almeida informou à época que demitiu servidores supostamente beneficiados. Algumas pessoas contempladas teriam se envolvido com tráfico de drogas posteriormente, segundo a Polícia Federal. O caso também foi levado ao Ministério Público Federal (MPF).
Compra de votos na eleição
Em 2024, dois pastores foram presos em flagrante suspeitos de compra de votos para beneficiar a reeleição de David Almeida. A operação ocorreu na véspera do segundo turno, no centro de convenções de uma igreja no bairro Monte das Oliveiras.
Os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira foram ouvidos na superintendência da PF no Amazonas e pagaram fiança para responder ao processo em liberdade.
Suspeitas envolvendo escolas municipais
Em 2025, Dulce Almeida foi alvo de inquérito civil do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por suposta utilização de escolas municipais em benefício da campanha eleitoral de 2024. O inquérito apurou indícios de desvio de finalidade e pedidos de votos, explícitos ou velados, em reuniões com gestores e pais de alunos.
Viagem ao Caribe
As viagens do prefeito ao Caribe durante os carnavais de 2024 e 2025 também foram investigadas. Em uma delas, a primeira-dama, Izabelle Fontenelle, foi filmada em festa em Saint Barth ao lado de empresários. O caso foi alvo de representação no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).
Irregularidades na vacinação contra a Covid-19
Em janeiro de 2021, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) solicitou a prisão de David Almeida e da secretária municipal Shadia Fraxe por irregularidades na aplicação de vacinas, incluindo favorecimento de pessoas fora do grupo prioritário. O pedido não foi atendido pela Justiça.






