Júlio Gadelha – Rios de Notícias
BRASIL – A educação brasileira avançou, mas os degraus para o diploma de ensino superior continuam altos para a maior parte da população. Segundo dados recentes do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 16,7% dos brasileiros (cerca de 25,8 milhões de pessoas) concluíram a graduação. Em comparação com o Censo 2010, o IBGE registrou um aumento na escolaridade brasileira, indicando que, na época, cerca de 11,3% da população com 25 anos ou mais tinha ensino superior completo.
No Amazonas, o cenário é ainda mais desafiador, apenas 12,9% da população (342.566 pessoas) possui nível superior completo.
O índice apresenta um crescimento considerável em relação a 2010, quando o número era de 7,9%. Porém, a base da pirâmide educacional no Estado ainda é composta por uma vasta maioria sem formação.
Enquanto 40,64% dos amazonenses possuem o Ensino Médio completo ou superior incompleto, quase 30% da população local ainda se encontra na faixa de sem instrução ou com o fundamental incompleto.

Desigualdades de cor e gênero
Os números do IBGE também evidenciam o recorte social da educação no país. Existe uma distância clara no número médio de anos de estudo conforme a cor ou raça.
Pessoas de cor branca e amarela acumulam, em média, 10,3 e 12 anos de estudo, respectivamente. Na outra ponta, pardos e pretos registram uma média de 8,9 anos, enquanto a população indígena estuda apenas 7,5 anos.
No quesito gênero, as mulheres mantêm a liderança educacional: elas estudam, em média, 9,8 anos, superando os homens, que registram 9,3 anos.

Áreas de formação
Cruzando os dados do Censo 2022 com as áreas de formação, nota-se uma concentração em setores específicos. Tanto no Brasil quanto no Amazonas, a área de “Negócios, administração e direito” lidera com folga, seguida por “Saúde e bem-estar” e “Educação”.
No Amazonas, os números detalhados mostram a seguinte distribuição nas principais áreas:
- Negócios, administração e direito: 97.175 pessoas
- Saúde e bem-estar: 64.147 pessoas
- Educação: 51.754 pessoas
O desafio da permanência
Para Elizandro Aparecido Rocha dos Santos, mestre em Ciências da Amazônia e coordenador do curso de Pedagogia da Fametro, o crescimento do acesso ao ensino superior é inegável e importante para a mobilidade social, mas ainda “insuficiente diante das demandas sociais e econômicas”.
Segundo o especialista, o gargalo da educação mudou de lugar. “O principal desafio hoje não é apenas o acesso, mas manter a permanência e a conclusão desse curso com qualidade”, afirma Santos.
Ele destaca que, especialmente em cursos como Pedagogia, a barreira financeira é um fator determinante para a evasão.
“Muitos enfrentam dificuldades para conciliar estudo e trabalho, o que acaba criando lacunas na formação básica”, explica.
O papel de programas sociais
O coordenador ressalta que políticas como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior (ProUni) foram e continuam sendo fundamentais para “quebrar as barreiras que dificultam a graduação”. Para ele, esses programas têm um impacto concreto na democratização do ensino.
“O país precisa avançar bastante. Não se pode pensar apenas no ingresso, porque a evasão também é muito grande. É fundamental fortalecer as políticas de permanência e apoio acadêmico”, defende Elizandro Santos.
O especialista conclui afirmando que a universidade deve associar o ensino à realidade do mercado.
“Quanto mais qualidade o estudante tem ao sair para o mercado e ver uma mudança de vida, mais a sociedade passa a enxergar o valor da graduação, aumentando a procura e, consequentemente, a inclusão profissional”, conluiu.






