Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A renúncia do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), na terça-feira, 31/3, para disputar o Governo do Amazonas, não é um caso isolado. Ao longo de décadas, deixar a Prefeitura antes do término do mandato tem se mostrado um movimento estratégico na capital amazonense.
Historicamente, a saída antecipada de prefeitos foi motivada tanto por estratégias eleitorais quanto por crises políticas e institucionais, desde muito antes da redemocratização do país.


Em diferentes momentos, o cargo de prefeito de Manaus também serviu como ponto de partida para trajetórias políticas maiores, funcionando como uma espécie de trampolim para voos eleitorais de alcance estadual ou nacional.
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Amazonino deixa prefeitura para disputar governo
Um dos exemplos mais conhecidos é o de Amazonino Mendes (PPR), que renunciou à prefeitura em 2 de abril de 1994 para disputar o Governo do Amazonas. Na época, seu vice, Eduardo Braga (PPB), assumiu o comando da gestão municipal.


A legislação eleitoral exigia o afastamento do cargo, e a decisão se mostrou estratégica: ele venceu a eleição para o governo e reassumiu o comando do estado no ano seguinte, o que consolidou ainda mais a sua influência política.
Alfredo Nascimento renuncia e vai para ministério
Outro caso que chama atenção, é o de Alfredo Nascimento (PL), que renunciou à Prefeitura de Manaus em 11 de março de 2004. Faltando pouco mais de dez meses para encerrar seu segundo mandato.
Alfredo havia sido convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a integrar o governo federal como ministro dos Transportes, em Brasília.


Naquela época, Nascimento havia iniciado seu segundo mandato como prefeito em 1º de janeiro de 2001 e precisou deixar a prefeitura para assumir a nova função.
Se hoje as renúncias podem estar ligadas a cálculos eleitorais ou decisões estratégicas dentro do âmbito político, no passado elas refletiam um cenário ainda mais instável.
Duas renúncias em período pós-Golpe de 1964
Durante o período que se seguiu ao Golpe de 1964 no Brasil, prefeitos foram pressionados a deixar seus cargos em meio à reorganização do poder político sob o regime militar.
Foi nesse contexto que Josué Cláudio de Souza, eleito em 1962, renunciou em 14 de outubro de 1964. Sua saída ocorreu em meio a investigações e pressões do novo regime, que passou a mirar lideranças políticas em todo o país.


Após a renúncia do empresário e radialista que fundou a Rádio Difusora do Amazonas, o então presidente da Câmara Municipal de Manaus, João Zany dos Reis, foi quem assumiu a administração da cidade.
Josué retornou à política, já filiado à Aliança Renovadora Nacional (ARENA) como deputado federal em 1978 e 1982, quando já estava filiado ao Partido Democrático Social (PDS).
‘Prefeitura de Manaus sem respaldo’
Alguns meses depois, em 1965, Vinícius Monte Conrado Gomes também deixou o comando da prefeitura. Governando em um ambiente de forte vigilância e intervenção, ele enfrentou desgaste político e perda de sustentação institucional.


Ele próprio descreveu a situação da administração municipal ao assumir o cargo: “A prefeitura de 1965 era uma repartição, quando eu assumi, sem crédito, sem tostão e sem respaldo”, declarou o político a um jornal da época.
Renato Junior é novo prefeito
Com a renúncia de David Almeida, quem assume o comando da capital amazonense é Renato Junior, vice-prefeito e representante do mesmo partido, o Avante.


Em seu primeiro discurso na tribuna da Câmara, Renato não detalhou metas de gestão, mas ressaltou a independência na condução da administração.
“Não me mandem empresários, advogados ao meu encontro, eu não estou à venda, eu não estou na prateleira. Aqui nessa testa não tem placa de vende-se. Aqui tem um filho de Manaus, um amazonense”.
A cerimônia de transição na Câmara Municipal de Manaus formalizou a posse e deu início ao seu mandato à frente da capital amazonense. A momento marcou o começo de uma nova fase na administração municipal.






