Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A região amazônica é conhecida por sua riqueza em cultura e tradições. No entanto, para além das belezas naturais, o norte do Brasil também se destaca por uma linguagem própria, repleta de expressões únicas e marcantes.
Quem nunca ouviu as expressões “Telesé, maninho”, “Chibata”, “Até o Tucupi”, “Kikão” e “Brocado”? Essas são algumas das gírias comumente utilizadas por amazonenses.
Essas expressões encontram uma nova forma de valorização na obra “Amazonês”, de autoria do professor e doutor em Linguística Sérgio Freire.
Freire, em entrevista a Rádio Rios FM 95,7, no programa RIOS DO CONHECIMENTO, falou sobre o sucesso e a relevância de seu livro, que chega à quarta edição.
A obra, que inicialmente surgiu como um projeto acadêmico, é considerada um importante projeto na preservação e celebração da cultura linguística amazônica.
“Na época do meu doutorado, eu tive que fazer um trabalho de sociolinguística que envolvesse uma questão do local onde vivia. Foi assim que surgiu a primeira versão do ‘Amazonês'”, relembrou o autor.
Lançado pela primeira vez em 2011, o livro teve uma boa recepção entre os leitores, gerando uma identificação.
“As pessoas se veem no livro, se identificam. E essa é a grande importância de resgatar a questão da linguagem”, destacou o professor.
Segundo o autor, o reconhecimento dessa linguagem regional passou por um processo de ressignificação ao longo dos anos. “Há algum tempo atrás, essa linguagem era associada ao caboclo, de forma pejorativa. As pessoas não gostavam disso. Com o tempo, resgatamos a importância da linguagem como identidade.”, disse Freire.
Linguagem e identidade
“Quando a gente valoriza essa linguagem que a gente chama carinhosamente de ‘Amazonês’ a gente está valorizando a nossa própria identidade que é essa importância e cada um tem que fazer isso na sua área. Eu como sou linguista, fiz o dicionário.
Para ele, o ‘Amazonês’ representa pela identidade. Além disso, o professor destacou que a riqueza linguística local é motivo de orgulho.
“A gente usa linguagem padrão, temos essa norma que a gente aprende na escola que é essa que a gente fala. Mas, a linguagem que a gente tem de fábrica é a linguagem oral. Então se você tem preconceito contra essa linguagem, tem preconceito contra si mesmo.”
Sérgio Freire destaca que a linguagem amazonense é importante e precisa ser valorizada.
“A gente precisa valorizar a linguagem pra se valorizar e ser um sujeito mais ativo, mais valorizado na sociedade”, declarou.






