Caio Silva – Rios de Notícias
CURITIBA (PR) – O desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, no Pico Paraná, tem levantado discussões sobre se a amazonense Thayane Smith poderia ser responsabilizada criminalmente por abandono.
Após a repercussão do caso, Thayane vem sendo alvo de ataques nas redes sociais. A advogada da influenciadora, Kellen Larissa, afirmou que muitas inverdades foram divulgadas sobre a amazonense.
“Com o intuito de expor uma jovem que, até aqui, jamais foi apontada por qualquer elemento concreto como autora de um crime”, disse.
Responsabilidade criminal
A advogada criminalista Beatriz Carvalho, ouvida pelo RIOS DE NOTÍCIAS, explicou como situações de abandono de incapaz podem configurar crime, de acordo com a legislação brasileira.
Segundo Carvalho, a conduta atribuída a Thayane não configura automaticamente crime. “O direito penal não pune simples omissões de auxílio. Se Thayane tivesse deixado Roberto para trás e ele tivesse morrido por outras circunstâncias, como ataque de animal ou queda, ela poderia responder por omissão de socorro. Mas como Roberto foi encontrado com vida, não houve crime”, explicou.
A especialista acrescenta que só haveria responsabilização em hipóteses excepcionais, como se Thayane tivesse criado risco direto ou assumido formalmente a segurança do amigo. “Somente se houver comprovação de que ela criou risco, impediu socorro ou assumiu a responsabilidade pela segurança dele, aí sim poderia haver enquadramento penal”, afirmou.

Carvalho ressalta que, embora deixar o amigo para trás possa ser visto como eticamente questionável, não significa crime. “Ambos sabiam do risco da trilha, que é muito íngreme. É importante analisar o contexto antes de qualquer conclusão”, disse.
Comprovação de dolo e dever de cuidado
A advogada destacou que, para caracterizar crime, seria necessário comprovar intenção ou dever legal de cuidado. “Deveria haver algum tipo de acordo ou aceite voluntário de Thayane para cuidar de Roberto, e não houve. Era a primeira vez dos dois no local”, explicou.
Além disso, Carvalho observou que a montanhista também estava sozinha e em um ambiente desconhecido, o que limita a possibilidade de oferecer auxílio. “Sem comprovação concreta de todos esses elementos, não há como falar em responsabilidade penal”, reforçou.
Pressão nas redes sociais
A especialista alerta que, apesar da pressão da mídia e das redes sociais, essas manifestações não têm relevância legal.
“A opinião pública não substitui os requisitos legais para responsabilização penal. Julgamentos virtuais não servem para enquadramento técnico”, disse.
O desaparecimento e os vídeos
Thayane publicou vídeos durante a trilha, registrada no Pico Paraná, ao lado de Roberto. As gravações foram divulgadas na quarta-feira, 7, e mostram dificuldades enfrentadas, como chuva e problemas para montar a barraca, além de críticas ao comportamento do jovem. “Ele é estressante, devagar, lento e não presta atenção”, disse Thayane em um dos vídeos.
Em outros trechos, enquanto acampados, Thayane reforça que Roberto era “muito estressante”, e ele responde que ela é “muito brava”. Os vídeos também registram momentos da trilha, ventos fortes e paradas para descanso.
O desaparecimento
Roberto e Thayane começaram a subida na tarde de 31 de dezembro, com o objetivo de assistir ao nascer do sol em 1º de janeiro. Durante a trilha, Roberto passou mal e ficou para trás. Ele chegou ao topo por volta das 4h da manhã e descansou, mas no retorno seguiu sozinho em direção à base.
Após dias de buscas, Roberto foi localizado com vida por equipes de resgate, depois de conseguir chegar sozinho a uma fazenda na região de Antonina, no Paraná.






