MANAUS (AM) – O estado do Amazonas está entre os piores do país em acessibilidade para cadeirantes. Apenas 5,6% das vias públicas possuem rampas de acesso, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com esse índice, o Amazonas ocupa a terceira pior posição nacional, atrás apenas de Pernambuco (6,2%) e Maranhão (6,4%).
Apesar de a acessibilidade ser um direito garantido pela Lei nº 10.098/2000, rampas e adaptações ainda são raras em muitas cidades amazonenses. Para pessoas com deficiência, a falta de estrutura adequada compromete direitos básicos, como o de ir e vir.
Leandro Lucas, ativista da causa PCD (pessoa com deficiência), conversou com o Portal Rios de Notícias sobre o tema. Ele destacou que a acessibilidade deve ser pensada de forma ampla, contemplando diferentes tipos de deficiência.
“Quando se fala em acessibilidade, temos que pensar de modo geral: pessoas com deficiência visual, neurodivergente, mental, física e cognitiva. A verdade é que as cidades não foram feitas para nós, PCDs. Mas existem leis e formas corretas de adaptá-las e torná-las mais acessíveis para todos”, afirmou.
Leandro Lucas, ativista da causa PCD – (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)
Leandro também apontou o transporte como um dos maiores gargalos no estado.
“Faltam melhorias no transporte adaptado em geral: ônibus, carros de aplicativo, táxis. E o maior problema do Amazonas é o transporte fluvial — nosso principal meio de locomoção. Não há acessibilidade para embarque e desembarque, nem adequações nas embarcações”, criticou.
A pesquisa do IBGE também revelou que, em trechos com estabelecimentos de ensino, apenas 16,9% das vias no Amazonas possuem rampas para cadeirantes.
Para Marina Teixeira, arquiteta e pessoa com mobilidade reduzida — ela utiliza prótese de quadril —, o problema está ligado à falta de políticas públicas.
“Acho muito triste o setor urbanístico da nossa cidade. Como arquiteta e alguém com dificuldade de locomoção, vejo que faltam políticas de incentivo à urbanização inclusiva. Mesmo em novos empreendimentos, esse tipo de preocupação ainda é ignorado. Se locomover é essencial, precisamos encarar isso com urgência”, destacou.
Outro dado alarmante é que o Amazonas tem o segundo pior índice da Região Norte no quesito “calçadas livres de obstáculos”. O estado ocupa a quarta pior posição do país, ficando atrás apenas do Maranhão (4,7%), Piauí (4,9%) e Acre (5,6%).
Além disso, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2024, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Amazonas está entre os últimos colocados no item infraestrutura — especialmente em logística e acessibilidade — ocupando a 27ª posição.
Esse panorama é resultado de critérios da Pesquisa Urbanística no Entorno dos Domicílios, do IBGE, que avaliou elementos como capacidade de circulação das vias, pavimentação, drenagem, iluminação pública, presença de pontos de ônibus, ciclovias, calçadas, obstáculos e arborização.