Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas está entre os estados que apresentaram piora nos índices de alfabetização de crianças. Os dados foram divulgados na última sexta-feira, 11/7, pelo Ministério da Educação (MEC), com base em levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
De acordo com o estudo, apenas 49,17% dos estudantes da rede pública do estado estavam alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2024 — um recuo em relação aos 52,2% registrados em 2023. O resultado está bem abaixo da meta nacional de 60%, estabelecida pelo programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, que busca garantir a alfabetização plena de todas as crianças brasileiras.
Com esse desempenho, o Amazonas se junta a outros cinco estados que também apresentaram queda: Bahia, Pará, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul. Apesar da retração em parte das regiões, a média nacional subiu de 56% em 2023 para 59,2% em 2024 — ainda abaixo do ideal, mas com ligeiro avanço.
Entre os estados que superaram a meta nacional estão Ceará (85,3%), Espírito Santo (71,6%), Goiás (72,7%) e Minas Gerais (72,1%).
Falta de mediadores e participação familiar agravam cenário
Para a professora Nazaré da Silva, dois fatores principais contribuem para o baixo índice: a ausência de mediadores para alunos neurodivergentes e o distanciamento das famílias no processo educacional.
“O número de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) aumentou, tanto com quanto sem diagnóstico. E eles não têm mediadores em sala de aula, o que interfere diretamente no ensino-aprendizagem”, disse a educadora em entrevista ao Portal Rios de Notícias.

Nazaré também criticou a falta de envolvimento dos pais. “O que deveria ser uma parceria virou um abandono. Muitos pais se isentam por conta do trabalho e deixam tudo a cargo da escola. As crianças passam o dia inteiro fora de casa, sem esse vínculo com a família”, destacou.
Consequências para a vida escolar
Segundo a professora, o principal prejuízo é o atraso na alfabetização na idade correta, o que dificulta o aprendizado nos anos seguintes.
“Se a criança não é alfabetizada na idade certa, todo o percurso escolar fica comprometido. A alfabetização precisa ser trabalhada desde a educação infantil para que, ao chegar no primeiro ano, ela já tenha uma base”, alertou.
O que diz a Seduc
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informou que está promovendo uma mobilização com os municípios para discutir novas estratégias que possam melhorar o desempenho das escolas na avaliação estadual — o Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas (Sadeam).
Entre as ações já iniciadas está a Formação Continuada em Apropriação de Resultados e Intervenção Pedagógica (Sadeam 2024), que começou na terça-feira, 14/7, e envolve professores, pedagogos e equipes técnicas das redes estadual e municipal. O objetivo, segundo a Seduc, é capacitar os profissionais para analisar os dados e traçar intervenções pedagógicas eficazes.






