Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em 2023, o Brasil manteve a liderança pelo 15º ano consecutivo como o país com o maior número de assassinatos de travestis e transexuais no mundo, conforme dados da Transgender Europe (TGEU).
O relatório aponta um aumento de 10,7% nos assassinatos de pessoas trans, em comparação com 2022. Foram registrados 145 assassinatos, em contraste com os 131 casos do ano anterior. Além disso, 10 pessoas trans cometeram suicídio, totalizando 155 mortes no ano.
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Entre as vítimas, a mais jovem tinha apenas 13 anos, evidenciando a persistente violência e a falta de vigilância contra crianças e adolescentes trans. Paralelo ao aumento da violência contra a população trans, houve queda de 5,7% nos assassinatos gerais da população brasileira, destacando a vulnerabilidade desse público.
O Estado do Amazonas registrou sete assassinatos de pessoas trans em 2023, mantendo-se na 8ª posição do ranking nacional.

Ranking de assassinatos por Estado
De 2017 a 2023, São Paulo liderou o ranking de assassinatos de pessoas trans com 135 casos, seguido pelo Ceará (96 casos) e Bahia (89 casos). O Amazonas figura na 9ª posição, empatado com a Paraíba, ambos registrando 38 assassinatos no período.

Em 2023, São Paulo registrou 19 assassinatos, um aumento de 73% em relação aos 11 casos de 2022. O Rio de Janeiro dobrou os assassinatos no mesmo ano, passando de 8 para 16, subindo para a 2ª posição. O Ceará manteve-se em 3º, com um leve aumento de 11 para 12 casos. Já o Paraná, com um aumento de 8 para 12 casos, subiu para a 4ª posição.
Distribuição e tendências
Uma característica que chama atenção é que 65% dos assassinatos ocorreram fora das capitais, em cidades do interior, revelando que a violência contra pessoas trans não está restrita aos grandes centros urbanos.
Acre, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins não registraram casos de assassinatos em 2023, indicando uma distribuição desigual da violência pelo território nacional.
A média histórica de assassinatos de pessoas trans no Brasil é de 151 por ano, ou 13 por mês, com 2023 apresentando um número 15% acima dessa média.






