Júlio Gadelha – Rios de Notícias
RIO DE JANEIRO (RJ) – A Manifestação em Defesa da Anistia, realizada neste domingo, 16/3, na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, reuniu apoiadores que, além de defenderem a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, também demonstraram apoio à candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2026.
O evento teve como objetivo buscar o perdão das penas de condenados e processados pelos atos de depredação do patrimônio público na Praça dos Três Poderes e acusações de tentativa de golpe de Estado. A expectativa era que mais de 1 milhão de pessoas comparecessem, e o protesto também foi uma demonstração de força e coesão da direita conservadora ligada ao bolsonarismo.
Durante o ato, Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, defendeu a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder em 2021, e afirmou que o ex-presidente deveria retornar às urnas em 2026: “Nós vamos reconduzir o melhor presidente da história ao seu lugar”.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também reforçou a candidatura de Bolsonaro em 2026, dizendo que ele será o próximo presidente e criticando o governo Lula por altos custos de combustível, carne e energia.
O próprio Bolsonaro se manifestou, afirmando que “Eleições sem Bolsonaro é negar a democracia no Brasil”.

Anistia e críticas ao STF
Sobre o projeto de anistia, a expectativa é que ele seja aprovado na Câmara dos Deputados. Bolsonaro afirmou que a medida já tem maioria na Casa.
“Hoje, por levantamento, já temos votos suficientes para aprovar na Câmara, como disse aqui Rodrigo Valadares (União), lá de Sergipe, que é o relator dessa proposta”, declarou o ex-presidente.
Já o senador da República pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL), subiu o tom contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes: “Vamos derrotar o alexandrismo, vamos derrotar os verdadeiros destruidores da democracia”.
Flávio também entoou gritos de ordem contra o presidente Lula: “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”, afirmando que o petista “enganou umas poucas pessoas pela última vez”.
O senador ainda reforçou a aprovação da anistia, que deve beneficiar seu pai, Jair Bolsonaro: “Vamos aprovar a anistia muito em breve e teremos Bolsonaro como próximo presidente”.
A possível aprovação do projeto de anistia poderia beneficiar diretamente Bolsonaro. O texto prevê o perdão para pessoas direta ou indiretamente envolvidas nos atos de 8 de janeiro, além de incluir eventos anteriores.
Isso, em tese, abrangeria o próprio ex-presidente, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como suposto líder de uma organização que teria tentado dar um golpe de Estado, culminando nos eventos de 8 de janeiro.
Bolsonaro é acusado de crimes como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de patrimônio tombado. Ele nega todas as acusações.






