Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O narcotraficante Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como “Alan do Índio”, apontado pela Polícia Federal como chefe do Comando Vermelho no Amazonas, teria passado por cirurgias plásticas e usado documentos falsos para despistar as forças de segurança.
Ele foi um dos principais alvos da Operação Xeque-Mate, deflagrada nesta segunda-feira, 6/10, que busca desarticular o núcleo da facção no estado.
De acordo com as investigações, Alan também utilizava documentos falsos para realizar viagens internacionais e manter o controle das operações criminosas a partir do Rio de Janeiro, onde estaria morando.
Durante a operação, a PF prendeu três pessoas, entre elas Cristina Nascimento, esposa de Alan. Joias, relógios e artigos de luxo foram apreendidos em uma residência localizada em um condomínio de alto padrão, em Manaus. Alan segue foragido.
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O superintendente da PF no Amazonas, João Paulo Garrido Pimentel, afirmou que o grupo criminoso movimentava grandes quantias de dinheiro por meio de criptoativos e empresas de fachada. “Essas lideranças do crime organizado faziam viagens frequentes ao exterior, promoviam a aquisição de veículos e artigos de luxo”, destacou o delegado.
As investigações apontam que a facção do qual Alan faz parte, utilizava criptomoedas para efetuar pagamentos de carregamentos de drogas enviados por traficantes colombianos. O esquema financeiro incluía uma fintech clandestina, chamada de “Carto”, criada para lavar dinheiro e disfarçar o fluxo de valores do tráfico.
“Os indícios apontam que os traficantes colombianos enviavam a droga ao Amazonas e recebiam o pagamento por meio de criptoativos, operados pelo responsável pela fintech”, explicou Pimentel.
A operação é um desdobramento de uma apreensão de mais de duas toneladas de drogas, realizada em setembro de 2024, no interior do Amazonas. Segundo a PF, a carga pertencia a Alan do Índio.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens avaliados em cerca de R$ 122 milhões. A ação contou com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) em Manaus e no Guarujá (SP).
Alan também já havia sido preso em 2017, suspeito de negociar armas com facções de outros estados. Após ser solto, teria iniciado os procedimentos estéticos para alterar o rosto e evitar reconhecimento.






