Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O advogado Francisco Charles Cunha Garcia Júnior foi formalmente indiciado pela Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) pelos crimes de estupro, injúria e ameaça cometidos contra a ex-funcionária Marcella Nascimento Pinto, de 34 anos, em Manaus.
De acordo com o Relatório Final do Inquérito Policial nº 9555/2025, assinado pela delegada Patrícia da Silva Santos Leão, a investigação apurou que os crimes ocorreram no escritório de advocacia Coimbra Garcia, localizado no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul da capital amazonense.
Segundo o documento oficial, “procede-se, com as devidas reservas, ao indiciamento de Francisco Charles Cunha Garcia Júnior pelos fatos narrados, sem prejuízo de posterior reavaliação pelo Ministério Público ou pela autoridade judiciária”.
Quatro episódios de abuso
Marcella relatou à polícia que sofreu abusos sexuais em quatro ocasiões distintas dentro do ambiente de trabalho, sendo o último episódio determinante para que ela buscasse ajuda policial.
Em depoimento, ela contou que, no dia 7 de abril de 2025, ao levar um suco ao advogado, foi surpreendida ao ser puxada pelo braço enquanto ele se encontrava nu, com o rosto coberto por um “pó branco”. De acordo com o boletim de ocorrência, Charles trancou a porta automática do escritório e a obrigou a praticar sexo oral.
“Lava o rosto, engole o choro, só vai descer quando passar”, teria dito o advogado após ejacular no rosto da vítima, conforme relato incluído no processo.
Além dos abusos, Marcella afirmou que era constantemente monitorada por câmeras no escritório e ameaçada, com Charles ostentando armas de fogo sobre a mesa e mencionando sua influência junto a desembargadores e delegados.
Em coletiva de imprensa, a vítima declarou que temia pela vida. “Todas as vezes que eu subia, eu tinha medo de ele me matar”, disse.
Provas apresentadas no processo
No curso da investigação, a vítima entregou arquivos de mídia como provas, as quais foram analisadas pela autoridade policial.
O relatório informa que “a vítima apresentou arquivos de mídia, os quais podem ser visualizados através dos links anexados […] O autor apresentou arquivos de mídia […] A testemunha Luma Gabriela Pontes Assayag também apresentou arquivos de mídia.”
O inquérito também ouviu seis testemunhas, incluindo colegas de trabalho da vítima.
O relatório policial destaca que, embora ainda existam “dúvidas quanto à materialidade ou dinâmica exata dos fatos”, a palavra da vítima em crimes contra a dignidade sexual possui forte valor probatório, justificando o indiciamento.
A reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Polícia Civil do Amazonas e aguarda posicionamento sobre o indiciamento e os próximos encaminhamentos do caso.
Defesa nega acusação
A defesa nega todas as acusações. Em nota, o advogado declarou que é inocente e que o indiciamento se baseia apenas na palavra da vítima e que confia no arquivamento do caso, ressaltando: “confio que a verdade prevalecerá”.
“As provas técnicas e testemunhais já constantes nos autos demonstram que, no momento indicado pela denunciante, eu sequer me encontrava no local onde os fatos teriam ocorrido — fato que, por si só, derruba completamente a narrativa apresentada”, declarou Charles.






