Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a prisão de quatro policiais militares e um guarda municipal, suspeitos de cometer sucessivos estupros contra uma detenta indígena na 53ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Santo Antônio do Içá, a advogada de defesa, Viviane Batalha, afirmou nesta segunda-feira, 28/7, que seus clientes são inocentes das acusações. Um sexto envolvido continua sendo procurado por participação nos abusos.
A representante legal dos seis suspeitos indiciados nas investigações concedeu entrevista ao Portal Rios de Notícias, na qual alegou que o caso — que ganhou repercussão nacional — será marcado por uma reviravolta. Segundo a advogada, a defesa sustenta que os réus são vítimas de uma injustiça e de uma “campanha midiática precipitada”.
“Ela transitava livremente pelas dependências da delegacia. […] Infelizmente, acabou abusando desse direito, pois, durante a noite, recebia visitas íntimas do companheiro. Em uma dessas ocasiões, os dois faziam uso de entorpecentes e, em determinado momento, foram flagrados mantendo relações sexuais sob efeito das drogas”, afirmou a advogada.
Viviane Batalha acredita que a denúncia acolhida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) foi motivada por interesses financeiros da vítima. A advogada, inclusive, questionou a etnia Kokama com a qual a denunciante se identifica, alegando que ela teria se declarado indígena com o objetivo de obter benefícios sociais.
“Ela mesma se declara faccionada, então provavelmente nutre um ódio acumulado pela polícia. Esse sentimento de vingança, somado à pretensão financeira de meio milhão de reais, salta aos olhos de quem não tem nada a perder. Foi tudo montado. Muitas coisas foram manipuladas”, afirmou Batalha.
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MPAM reforça atuação
O Ministério Público informou que não comentará as declarações da advogada, em respeito à legalidade e à ética que regem sua atuação. No entanto, por meio de nota, a instituição ressaltou que sua atuação no caso foi conduzida com total rigor técnico, com base no depoimento da vítima e em laudos periciais.
“Incluindo exames de conjunção carnal e avaliação psiquiátrica — e o Inquérito Policial Militar. […] Cabe à defesa apresentar seus argumentos e buscar a comprovação da inocência de seus clientes nos autos do processo, que é o espaço legítimo para o contraditório e a ampla defesa”, concluiu o MPAM.

Relembre o caso
Em depoimento, a mulher afirmou ter sido vítima de abusos sistemáticos cometidos por policiais militares que atuavam na 53ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) do município. Segundo ela, a unidade não possuía cela feminina no momento de sua prisão, em 2022, razão pela qual foi mantida junto a presos do sexo masculino — contexto em que os abusos teriam começado.
Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), uma comitiva do órgão ouviu a vítima no dia 22 de julho deste ano. Ela relatou ter sido estuprada coletivamente em diversas ocasiões, inclusive na presença do filho recém-nascido, que permaneceu com ela durante todo o período de custódia. A mulher também afirmou não ter recebido qualquer tipo de assistência médica ou psicológica após o parto.
*Com colaboração de Diana Rodrigues






