Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um relatório do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) aponta que 44 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Manaus entre 1º de janeiro e 3 de março de 2026.
O número representa um aumento de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 32 mortes. Os dados foram compilados a partir de registros do Instituto Médico Legal (IML) e atualizados em 3 de março de 2026.
Distribuição mensal
O levantamento mostra que janeiro foi o mês com maior número de vítimas, com 21 mortes no trânsito. Em fevereiro foram registradas 20 mortes, enquanto março contabiliza três óbitos até o dia 3.

A distribuição mensal é a seguinte:
- Janeiro: 21 mortes
- Fevereiro: 20 mortes
- Março: 3 mortes
Comparação com 2025
No mesmo período de 2025, entre janeiro e início de março, foram registradas 32 mortes, distribuídas da seguinte forma:
- Janeiro: 15 mortes
- Fevereiro: 14 mortes
- Março: 3 mortes (considerando apenas o início do mês)
A comparação entre os períodos aponta aumento nas mortes nos dois primeiros meses do ano:
- Janeiro: aumento de 40% (de 15 para 21 mortes)
- Fevereiro: aumento de 42,86% (de 14 para 20 mortes)
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Histórico de mortes no trânsito
O relatório também apresenta o histórico recente do número total de vítimas fatais em Manaus entre 2016 e 2026:
- 2016: 210 mortes
- 2017: 224 mortes
- 2018: 212 mortes
- 2019: 215 mortes
- 2020: 228 mortes
- 2021: 219 mortes
- 2022: 260 mortes
- 2023: 254 mortes
- 2024: 309 mortes (maior número da série recente)
- 2025: 246 mortes
- 2026: 44 mortes até 3 de março
De acordo com o levantamento, 2024 registrou o maior número de mortes da última década, com 309 mortes.
Média histórica mensal
O estudo também apresenta a média mensal de mortes no trânsito considerando o período de 2016 a 2026. A média aproximada de vítimas por mês na capital varia entre 17 e 23 mortes, dependendo do período analisado.
Tipos de acidentes
Entre janeiro e o início de março de 2026, os acidentes mais letais estão ligados a:
- Colisão entre veículos: 15 mortes (aumento de 7,14%)
- Atropelamento: 14 mortes (aumento de 40%)
- Choque contra objeto fixo: 9 mortes (aumento de 80%)
- Queda de veículo: 5 mortes (aumento de 66,67%)
- Capotamento: 0 registros
- Tombamento: 0 registros
- Não identificado: 1 caso
No mesmo período de 2025 haviam sido registrados:
- 10 atropelamentos
- 14 colisões
- 5 choques contra objetos
- 3 quedas de veículos
Perfil das vítimas
O relatório também detalha o perfil das vítimas em 2026:
- Motociclistas: 22 vítimas
- Pedestres: 14 vítimas
- Passageiros de veículos leves: 4 vítimas
- Motoristas: 1 vítima
- Ciclistas: 1 vítima
- Não identificado: 2 casos
No mesmo período de 2025 haviam sido registrados:
- 19 motociclistas mortos
- 11 pedestres
- 1 motorista
- 1 passageiro de veículo leve
Vias com maior número de mortes
O relatório também identifica as vias onde ocorreram os acidentes fatais em 2026. A Avenida Brasil, no bairro Compensa, aparece como o local com maior número de registros, com quatro mortes, o equivalente a 10% do total.


Outras vias com duas mortes registradas incluem:
- Avenida Constantino Nery
- Avenida Cosme Ferreira
- Avenida Efigênio Sales
- Avenida Torquato Tapajós
Diversas outras avenidas e ruas registraram um caso cada, entre elas:
- Avenida Abiurana
- Avenida Alphaville
- Avenida Autaz Mirim
- Avenida Camapuã
- Avenida Contorno Norte
- Avenida Coronel Teixeira
- Avenida Getúlio Vargas
- Avenida Governador José Lindoso
- Avenida Itaúba
- Avenida Margarita
- Avenida Mário Ypiranga
- Avenida Max Teixeira
- Avenida Nilton Lins
- Avenida Rio Mar
- Avenida Rodrigo Otávio
- Avenida Umberto Calderaro
Mortes por zona da cidade
A zona Leste de Manaus lidera o número de mortes em 2026, concentrando 14 mortes, o equivalente a 33,33% do total.
A distribuição por zona é:
- Zona Leste: 14 mortes
- Zona Centro-Sul: 12 mortes
- Zona Norte: 6 mortes
- Zona Oeste: 5 mortes
- Zona Sul: 5 mortes
- Zona Centro-Oeste: 0 mortes
Dois registros não tiveram a zona identificada.
Índice de mortes em relação à população
O relatório também analisa o índice de mortes considerando o tamanho da população de Manaus. Em 2026, com população estimada em 2.303.733 habitantes, o índice é de 1,91 morte a cada 100 mil habitantes, considerando os dados até o início de março.
Historicamente, o índice já foi maior:
- 1999: 15,22 mortes por 100 mil habitantes
- 2000: 17,34
- 2006: 17,59
- 2016: 10,03
- 2022: 12,60
- 2024: 14,97
- 2025: 10,68
O IMMU destaca que os números são preliminares e podem sofrer alterações conforme novos registros de ocorrências sejam confirmados pelo Instituto Médico Legal (IML). O relatório foi elaborado pela Divisão de Gestão da Informação do Departamento de Educação de Trânsito e Estatística do órgão municipal.
Aumento das mortes no trânsito preocupa especialistas
De acordo com o especialista em trânsito Manoel Paiva, o cenário atual acende um alerta sobre a segurança viária na capital amazonense.
“O trânsito de Manaus não é apenas caótico, é letal e hostil. A cidade continua a apresentar riscos elevados para quem circula pelas vias, especialmente pedestres e motociclistas”, afirma.

Paiva destaca que as medidas para conter o aumento dos acidentes exigem presença constante de agentes de trânsito nos principais corredores viários, além de fiscalização mais intensa, inclusive remota, e ampliação de campanhas educativas voltadas a pedestres e condutores.
O especialista também aponta que os pedestres são os mais vulneráveis na hierarquia da mobilidade urbana e defende melhorias na infraestrutura, como construção, manutenção e ampliação de calçadas acessíveis.
“Adoção de campanhas voltadas a pedestres cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida, idosos, crianças e mulheres grávidas, com presença de orientadores do órgão municipal orientando, informando e protegendo esses usuários”, destaca.
Riscos aos motociclistas
Em relação aos motociclistas, Paiva ressalta que a infraestrutura viária precisa acompanhar o crescimento da frota de motos, que atualmente representam cerca de 34% dos veículos em Manaus.
“É necessário melhorar a infraestrutura para circulação desses veículos e implementar programas de requalificação e treinamento para profissionais que atuam no transporte de cargas e passageiros”, afirma.
O especialista também alerta que o início do ano, o retorno das férias escolares, o período de chuvas e os alagamentos em bairros e vias movimentadas contribuem para o aumento de acidentes.
“O estado de conservação de muitas vias dificulta a trafegabilidade. Além disso, o aumento do número de veículos individuais, como motocicletas e automóveis, eleva a probabilidade de acidentes, já que apenas cerca de 45% da população utiliza o transporte coletivo para seus deslocamentos”, conclui.






