Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A mãe do comerciante Davidson Moreira de Oliveira, de 42 anos, morto a tiros em uma adega no bairro São José, zona Leste de Manaus, cobrou justiça e relatou o impacto da perda para a família durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 4/2. O guarda municipal Roberto Alves foi preso suspeito de cometer o crime.
Segundo os assistentes jurídicos da família, o inquérito policial está em fase inicial de apuração e corre sob segredo de justiça. A expectativa é que o procedimento seja concluído nos próximos dias e encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que decidirá sobre o oferecimento da denúncia criminal.

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Pedido de justiça
De acordo com Vera Lúcia, mãe da vítima, Davidson participava de um momento de confraternização quando foi chamado para intervir em uma confusão envolvendo o suspeito. Segundo ela, o filho foi até o local apenas para tentar acalmar os ânimos.
“Meu filho não estava armado. Ele só foi tentar acalmar a situação”, afirmou.

Ainda conforme o relato da mãe, o suspeito estaria armado e teria provocado o conflito antes de efetuar os disparos. Para ela, a dinâmica descrita por testemunhas não sustenta a alegação de legítima defesa. “Eu quero que a justiça seja feita pela vida dele e pelos meus netos. São quatro crianças que ficaram sem pai”, disse.
Vera Lúcia destacou que os filhos de Davidson já viviam em situação de vulnerabilidade. A mãe das crianças morreu há cerca de quatro meses, e o comerciante era o único responsável pelo sustento da família. “Eles ficaram sem pai e sem mãe. A gente quer justiça”, reforçou.
Atuação na comunidade
Segundo a mãe, Davidson era uma pessoa muito atuante na comunidade e ajudava frequentemente moradores da região. Durante o velório, diversas crianças compareceram e choraram, relatando que o comerciante costumava auxiliá-las.
“O que a gente quer é justiça. A justiça da Terra e a justiça de Deus. A da Terra pode falhar, mas a de Deus não”, afirmou.
Ela também relatou que uma das netas, de 17 anos, está profundamente abalada emocionalmente e chegou a manifestar desejo de vingança. “Eu digo a ela que isso não vai trazer o pai de volta. O que a gente quer é justiça”, disse.
Gravações e investigação
A advogada Sarah Beatriz afirmou que, além da responsabilização criminal, a família irá ingressar com ações cíveis, incluindo pedidos de indenização e pensão alimentícia para os filhos da vítima.
“Existe um dano social e familiar gravíssimo. Vamos pedir indenização e pensão, que também deve ser tratada na esfera civil”, disse.
Ela destacou ainda que a defesa trabalha para afastar tecnicamente a tese de legítima defesa. “A vítima não estava armada e foi ao local apenas para conversar. Mesmo após os primeiros tiros, houve novos disparos. Isso será demonstrado no processo”, afirmou.

O assistente jurídico Danilo Bentes informou que a defesa da família pretende atuar como assistente de acusação assim que a denúncia for aceita pela Justiça do Amazonas.
“Assim que o juiz receber a denúncia, vamos ingressar como assistentes de acusação para acompanhar todos os atos processuais e contribuir com a produção de provas”, explicou.
Bentes afirmou ainda que a família foi informada sobre a existência de imagens e áudio captados por câmeras de segurança do estabelecimento. Segundo ele, os registros indicam uma discussão anterior aos disparos.
“Pela quantidade de tiros e pela dinâmica narrada, não há legítima defesa. A lei fala em meios moderados para repelir agressão. Cinco disparos caracterizam excesso”, afirmou.
Entenda o caso
Na semana passada, o guarda municipal Roberto Alves foi preso suspeito de matar o comerciante Davidson Moreira de Oliveira, em uma adega no bairro São José Operário, zona Leste de Manaus, no domingo, 25/1.
A Prefeitura de Manaus informou que o servidor estava afastado de suas funções operacionais por motivos de saúde e não estava em serviço no momento do crime. Segundo a gestão municipal, ele não integrava o efetivo da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), tendo participado apenas do primeiro treinamento do grupamento.
A Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg) esclareceu que a arma utilizada no crime era de uso pessoal do suspeito e não pertencia à Guarda Municipal. O armamento institucional havia sido recolhido desde o afastamento do servidor. A Corregedoria da Semseg instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso.
O crime segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas.






