Letícia Rolim e Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a repercussão da morte da influencer Luana Andrade por complicações de uma lipoaspiração, reacendeu-se o debate sobre a busca pelo corpo perfeito. Não é de hoje que as pessoas, especialmente figuras públicas sofrem com a pressão estética, que muitas vezes custa a própria vida.
A pressão estética, que afeta pessoas de todos os gêneros, é uma realidade persistente na sociedade. A cada ano, as tendências de beleza se transformam, levando muitos a tentarem se ajustar a novos padrões.
Na terça-feira, 7/11, A modelo Luana Andrade morreu aos 29 anos após uma parada cardiorrespiratória durante uma cirurgia estética de lipoaspiração na região do joelho. De acordo com a equipe médica, a cirurgia foi interrompida após Luana apresentar quadro de trombose maciça. A modelo foi encaminhada à UTI, mas não resistiu e morreu por embolia pulmonar maciça, de acordo com o boletim de óbito.
Nos últimos anos, a sociedade tem testemunhado a ascensão do mundo digital e das redes sociais, onde a busca pela perfeição estética muitas vezes dita as “regras do jogo”.
Nas redes sociais, são exibidos corpos esculturais, e mesmo aqueles que são saudáveis buscam procedimentos estéticos. Esse fenômeno ilude, fazendo com que pareça simples e fácil, ao mesmo tempo em que alimenta sentimentos de inferioridade em quem não pode ou não deseja se submeter a intervenções, colocando a estética acima da saúde.
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Muitos recorrem aos procedimentos devido a julgamentos sociais, pressões de aceitação e o desejo de se enquadrar em padrões de beleza, como no caso de Luana, uma influencer que, após ser atacada nas redes sociais, optou por realizar uma lipoaspiração na região do joelho.
Estética perfeita
A busca pela estética perfeita, conforme a psicóloga Deborah Pacheco, acarreta na falta de limites para alcançar o corpo padrão. O desejo desenfreado para alcançar determinados biotipos considerados “ideais” ultrapassa o objetivo dos procedimentos estéticos, o qual, segundo a psicóloga, seria a “recuperação de autoestima de pessoas que necessitam, por questões de saúde, passar por procedimentos cirúrgicos e harmonização da imagem estética”.
A psicóloga atribui essa busca incansável pelo corpo perfeito como uma forma de compreensão da vida relacionada à felicidade momentânea do “ter”. Além disso, com as redes sociais, muitas pessoas consomem, constantemente, conteúdos com imagens de figuras públicas que produzem uma estética distante da realidade de seu público.
“Ocorre que ficamos sempre expostos a um nível inalcançável de comparação baseado apenas na história exposta de alguém que nem sempre expõe o que realmente vive. Na rede social ninguém adoece, tem imperfeições ou necessidades, o que deixamos de analisar é que em busca de público o criador de conteúdo digital constrói uma história, e quem o assiste é um mero expectador que gera lucros para esse indivíduo”, afirmou a psicóloga.
Ainda de acordo com a psicóloga, atualmente, as crianças se interessam em ser influencer ou criador de conteúdo. No entanto, ela alerta que é preciso explicar quais são as consequências de uma atividade com grande exposição: o desgaste emocional.
“Afeta diretamente à saúde emocional, causando transtornos como ansiedade ou depressão pelas frustrações e julgamentos do cotidiano”
Deborah Pacheco, psicóloga
Para ela, uma das formas de superar a pressão estética é o entendimento de que cada indivíduo possui um biotipo único e diferente. “A maneira que temos de lidar com a pressão estética é a compreensão que temos biotipos diferentes que nos tornam especiais, trabalhar a nossa qualidade de vida e bem estar baseados numa progressão de conquistas sermos determinados e gratos”, explicou a especialista.
Pressão estética
Fernanda Santos, de 30 anos, atua como modelo na capital amazonense, e utiliza as redes sociais para publicar fotos do seu cotidiano e de outros trabalhos como instrutora de fitdance. Por trabalhar constantemente com as redes sociais, ela tem contato recorrente com fotos bem editadas e corpos padrões. Por conta disso, ela já se viu pressionada a buscar um perfil inalcançável.
“Tem muita mulher que quer almejar aquilo ali [corpo padrão], o que não é nada fácil. Eu mesma já me cobrei muito em ter uma cintura mais fina, uma bunda maior e os lábios mais carnudos”
Fernanda Santos, modelo

Conforme Fernanda, a influência de imagens de corpos padrões também já impactou diretamente sua saúde mental. No entanto, ao entender que cada pessoa tem seu biotipo específico, a modelo parou de se cobrar para ter uma aparência “ideal”.
“Depois que eu entendi que meu biotipo é totalmente diferente do de outra pessoa, eu comecei a entender como meu corpo funciona, como minha saúde tem que ser. Eu não posso me cobrar demais, porque eu jamais vou ser igual a outra pessoa. Isso não existe”, disse.
Nas redes sociais, a modelo preza por desconstruir a ideia de corpo padrão para seus seguidores. Para ela, é importante a discussão a respeito das cirurgias estéticas e os riscos.

“Eu sei que não é de hoje que acontece. Sempre que noticiam algo deste tipo é até impactante. Na minha opinião, tem que ter mais notícias sobre isso. Nas redes sociais tem muita mulher que quer alcançar o inalcançável. Eu por exemplo, tenho medo de fazer procedimentos e acabar morrendo em uma dessa porque a gente nunca sabe como vai ser”
Fernanda Santos, modelo
Críticas na internet
Um dos casos recentes é o do influenciador Rico Melquiades, que decidiu compartilhar com seus seguidores os resultados de cirurgias plásticas em seu rosto, após anos de críticas e ataques relacionados à sua aparência.
“Depois de passar anos sendo chamada de feia na internet, me rendi as cirurgias plásticas na face e mostro AGORA o resultado pra vocês!”, disse Rico em uma publicação em seu perfil no Instagram.

O caso de Rico Melquiades traz à tona uma reflexão sobre como a sociedade lida com críticas e pressões estéticas nas plataformas digitais. A exposição constante nas redes sociais, onde a imagem muitas vezes prevalece sobre o conteúdo, pode levar a uma pressão significativa sobre a autoestima das pessoas, especialmente aquelas que estão expostas ao julgamento público.
A decisão de Rico Melquiades e a morte de Luana Andrade é um lembrete de que é hora de repensar a relação com os “padrões de estética” e valorizar a saúde acima de tudo, reconhecendo que a verdadeira perfeição reside na diversidade e na aceitação.
Repercussão
O surfista brasileiro, Gabriel Medina, expressou sua tristeza pela morte da amiga influencer, Luana Andrade, e fez um apelo para que o padrão de corpos perfeitos exibidos nas redes sociais acabe, evitando riscos desnecessários.
“Hoje perdi uma amiga por procedimentos estéticos ‘simples’. O mundo tá surreal gente… Esse padrão de corpos ‘perfeitos’ que é impossível de alcançar exibidos no Instagram e na mídia precisa acabar urgentemente. Pra que correr risco de vida atoa?”, declarou Medina.
A apresentadora Adriane Galisteu também lamentou o ocorrido em um vídeo em que homenageia e relembra a participação da influencer no Power Couple Brasil.
— Adriane Galisteu (@GalisteuOficial) November 7, 2023
“Meu Deus do céu não posso acreditar!!!!! Meu coração está dilacerado!!!! Meus mais profundos sentimentos a família aos amigos”, disse Galisteu.






