Vitória Freire – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nesta segunda-feira, 18/3, em protesto, moradores do bairro Santa Etelvina paralisaram a avenida 7 de Maio, Zona Norte de Manaus, e incendiaram pneus na via devido à ausência de ações do Poder Público capazes de proporcionar uma infraestrutura digna aos comunitários.
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Com as fortes chuvas que ocorrem em meio ao inverno amazônico, uma ponte, construída sobre um igarapé pelos próprios comunitários, e residências localizadas na rua da Paz estão desmoronando.
O proprietário de uma oficina, Raimundo da Silva Maia, vive na região há 25 anos. Segundo ele, as águas provenientes de temporais frequentes estão comprometendo a estrutura de seu empreendimento e de sua casa.
“A água está levando tudo. A minha casa está caindo, a minha oficina está caindo, a ponte da comunidade está caindo. Ninguém faz nada pela gente. Eu só sou um pai desesperado querendo trabalhar.”
Raimundo da Silva Maia, morador do bairro Santa Etelvina
Ao Portal Rios de Notícias, Raimundo Maia relatou que se dirigiu até uma unidade próxima do Distrito de Obras para expor a situação e emitir requerimentos encaminhados à Prefeitura. Contudo, até o momento, o morador não obteve respostas e nenhuma autoridade visitou a localidade para solucionar as problemáticas.
“A Prefeitura e o Governo do Estado não estão olhando para a gente aqui. Essa é a nossa indignação. São 25 anos desse jeito. Fomos em um Distrito de Obras, demos entrada com vários requerimentos. Não resolvem nada. Mandaram uma máquina para cá, para cavar o igarapé, só que a máquina está guardada há 3 meses.”
Outra dificuldade destacada pelo mecânico se refere, sobretudo, à coleta de lixo no bairro.
“Desde dezembro, ninguém vem coletar o lixo, que está tomando tudo. Os meus clientes não conseguem estacionar na rua. Idosos e crianças passaram para ir ao colégio no meio desse lixo aqui. Tudo está se acabando.”

‘Santa Etelvina pede socorro’
A moradora Marlene Silva clamou, igualmente, por ajuda de órgãos competentes. Em depoimento à reportagem, ela testemunhou que um poste de iluminação está em iminente risco de desabar sobre a residência de um membro da comunidade, destacando, assim, que este não é o primeiro incidente do tipo.
“Um poste está quase caindo na casa de um rapaz. O Santa Etelvina pede socorro. Cada vez que chove, nós vamos para o fundo. Há dois anos, o poste de luz caiu, e uma criança estava brincando no igarapé. Com a caída de um fio, a criança foi eletrocutada. O poste está para cair de novo.”

Com 60 anos e diante das precariedades, Marlene tentou arrumar a ponte que cruza o igarapé, arriscando, portanto, ser atingida pela queda da estrutura.
“Eu fui arrumar a ponte outro dia e ela ia caindo por cima de mim. Daí eu corri, mas caí dentro do igarapé. O meu marido, com o braço quebrado, levantou [a ponte] com um pedaço de pau.”

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Obras (Seminf) em busca de informações sobre a inexistência de ações e se algum serviço está programado para a região. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve respostas. O espaço segue disponível para os devidos esclarecimentos.






