Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O deputado estadual João Luiz (Republicanos) concedeu entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, nesta segunda-feira, 11/3, e falou sobre sua recente nomeação como secretário da Comissão de Minas e Energia do Parlamento Amazônico e sua viagem até o município de Humaitá, percorrendo mais de 600 quilômetros da BR-319, em fevereiro deste ano, que tinha o intuito de verificar demandas na área da rodovia.
O deputado enfatizou sua luta pelo destravamento da pavimentação da rodovia e segue realizando análises e estudos que comprovem os benefícios que a obra acarretará para a região Norte. O parlamentar expressou seu compromisso em manter o tema da BR-319 em destaque, enfatizando a importância de não deixar esse assunto cair no esquecimento.
“Nós, a todo momento, vamos estar alimentando a fogueira para que não se apague. Estaremos sempre falando a respeito. Na viagem à Humaitá, levei técnicos comigo e está em fase de finalização um relatório, elaborado pelo Parlamento Amazônico. Na última reunião, houve uma proposta de realizar uma marcha que vai reunir mais de 70 deputados”, detalhou João Luiz.
“O objetivo é encontrar com os Ministérios do Meio Ambiente, dos Transportes, de Minas e Energia, de Portos e Aeroportos e levar as contrarrazões. Porque de lá vêm as razões para não pavimentar, e tem as razões de cá”, pontuou o deputado.
Ao abordar os argumentos contrários à pavimentação da BR-319, João Luiz citou um estudo que sugeriu um aumento do índice de bactérias na região Norte caso a estrada seja repavimentada.
“Eu fiquei perplexo. Dizer que o asfaltamento da BR-319 vai aumentar o índice de bactérias em Manaus. Todo mundo assistiu, no momento da pandemia de Covid-19, a dificuldade que foi de chegar o oxigênio na capital. A dificuldade que foi ajudar o nosso povo. Por quê? [Porque] não tem estrada, o rio seca e não podia trazer de avião. Olha aí o isolamento. Ora, o Amazonas não é um país fora do Brasil. O Amazonas é Brasil. E o Amazonas precisa de ser tratado como as outras regiões são tratadas”, disse Luiz.
O deputado também comparou a situação da BR-319 com a Rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163) que foi pavimentada e trouxe benefícios para a região.
“Eu viajei à Santarém (PA) e percorri de carro a Rodovia Santarém-Cuiabá. Essa estrada era a mesma ‘novela’ que tem a BR-319. E hoje está pavimentada e preservada. Ajudou no crescimento do município. Eu estive em Santarém recentemente e tomei um susto pelo crescimento e o fortalecimento populacional. Isso dá dignidade às pessoas, traz boa imagem, dá acesso a uma educação melhor, à saúde melhor, acesso a saneamento básico melhor. Agora, dizer que em nome da preservação precisamos ter o isolamento do povo amazônida? Isso nós não estamos de acordo, precisamos dialogar”, afimou o deputado.
Diálogo construtivo
Durante a entrevista, João Luiz enfatizou a necessidade de um diálogo construtivo sobre o futuro da BR-319 e da região amazônica como um todo. Ele destacou a importância de ouvir as vozes das pessoas que vivem na região e enfrentam diariamente os desafios do isolamento causado pela falta de infraestrutura viária.
“Ouvir da BR-319 ou de preservação ambiental de quem nunca veio aqui, não tem condições. Só é habilitado para falar da Amazônia e do Amazonas quem mora aqui, quem vive aqui, quem passa as dificuldades daqui. Quando o rio seca não tem como levar mantimento para as pessoas porque não tem estrada. A Zona Franca de Manaus ficou impossibilidade de receber insumos porque nem estrada tinha. A gente vê é que eles querem isolar o Amazonas”, argumentou o deputado.






