Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A fuga de dois detentos da penitenciária de Mossoró, no Rio Grande do Norte, chamou a atenção para os presídios federais brasileiros. Presidiários de maior influência em facções criminosas e de alta periculosidade ficam custodiados nestas unidades.
Conforme a Secretaria Nacional de Política Penais (Senappen) informou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, 27 detentos do Sistema Penitenciário do Amazonas foram transferidos para o Sistema Penitenciário Federal (SPF).
No dia 24 de julho de 2023, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, autorizou a transferência de 13 presos ligados a facções dos presídios do Amazonas para penitenciárias federais. Na época, ao tomar a decisão, Dino declarou que o estado sofria “uma crise na segurança pública”.
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Atualmente, existem no país cinco presídios federais de segurança máxima. Cada um tem 208 vagas, totalizando 1.040.
Segundo os dados públicos mais recentes referentes ao ciclo entre janeiro e junho de 2023, atualmente há 489 detentos, indicando uma ocupação abaixo da metade da capacidade. Esse número também representa 0,0752% dos presos em carceragens em todo o país.
Figurinhas carimbadas
Entre os 27 detentos com origem no Sistema Penitenciário amazonense, estão alguns personagens conhecidos do mundo do crime. Muitos deles são lideranças de organizações criminosas de todo o país.
Erik Leal Simões, conhecido como “CD”, um dos chefes do tráfico de drogas no bairro Coroado, zona Leste de Manaus, ganhou destaque em uma facção do estado, após a prisão de José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa” e João Pinto Carioca, o “João Branco”, ambos presos em presídios federais.


Em 2021, Lucirle Silva da Conceição, conhecido como “Urso Branco”, foi preso após um possível resgate do líder de facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”. Lucirle também é suspeito de envolvimento nos 55 assassinatos ocorridos nas cadeias de Manaus em maio de 2019.
Outro detido em presídios federais é Adriano de Souza, o “Thor, chefe do tráfico no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste. Segundo a polícia, ele é envolvido em diversos assassinatos na divisa entre os bairros Dom Pedro e Alvorada.
Critérios para transferências
Conforme descreve a legislação, os presídios federais devem receber indivíduos que tenham atuação destacada em organização criminosa envolvida de forma reiterada em episódios com violência ou grave ameaça.
Na prática, os presídios foram pensados para isolar os líderes de facções e detentos de alta periculosidade, de suas funções e da região onde possuíam domínio no crime organizado.
Caso Mossoró
No dia 14 de fevereiro, Deibson Cabral Nascimento, 33, e Rogério da Silva Mendonça, 35, fugiram após pular um alambrado na unidade prisional federal de Mossoró (RN). Essa é a primeira fuga de internos de uma penitenciária de segurança máxima. Eles seguem sendo procurados.
Deibson e Rogério foram os primeiros detentos da história a escapar de um desses presídios no Brasil. Deibson e Rogério foram transferidos para a unidade federal após terem participado de uma rebelião no presídio Antônio Amaro Alves, no Acre, em julho do ano passado.






