Vitória Freire – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Queremos pisar em terra firme, e não ficar flutuando em bolhas de narrativas. É preciso fugir do negacionismo e se apegar à ciência e à história para compreender o fluxo da contemporaneidade”, escreveu o presidente do Instituto ‘Não Aceito Corrupção’ e procurador de justiça em São Paulo, Roberto Livianu, para o Poder 360.
No texto, Livianu direciona críticas às duas personalidades políticas que dividem opiniões, famílias e o Brasil: o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com desaprovações apontadas, de modo majoritário, para Bolsonaro e o ato na Avenida Paulista de domingo, 25/2, Livianu classifica o ex-presidente como oportunista, argumentando que o político utiliza o seu eleitorado para invocar uma “genérica” e “hipotética” anistia, para dela se beneficiar, “quando deveria trazer as verdades à tona no inquérito policial que apura crimes contra a ordem democrática”.
Distanciamento
O cientista social, filósofo e mestre em Direito Processual, Helso Ribeiro, concedeu, ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, percepções referentes ao discurso de Bolsonaro.
Conforme observações do especialista, o político, que outrora fomentava em seu eleitorado sentimentos negativos em relação aos ministros do Supremo Tribunal Federal e à legitimidade da eleição do presidente Lula, em sua última manifestação, reconhece a corrosão da situação – tanto para seus apoiadores quanto para si.
“Diante das tentativas, por parte da Polícia Federal, de comprovar a ligação dele com os atos golpistas e vândalos que ocorreram em 8 de janeiro, ele se distancia desses indivíduos. Vale ressaltar que, assim como no deputado Daniel Silveira, preso por suas declarações de ameaça ao Estado Democrático de Direito, Bolsonaro não o apoiou publicamente, concedendo, apenas, perdão, posteriormente. Esse comportamento pragmático demonstra sua priorização pela própria segurança política. Quando Bolsonaro se vê em uma situação ruim, ele quer saber do ‘couro’ dele primeiro”, salientou Helso.
No tocante ao tópico distanciamento, é notável que políticos do Amazonas que se declaravam conservadores em momentos oportunos, como no período eleitoral de 2018, optaram por não comparecer ao ato, às vésperas das Eleições Municipais deste ano.
O governador Wilson Lima (União Brasil), por exemplo, que se dizia “alinhado” com os “posicionamentos políticos” de Jair Bolsonaro, não esteve na manifestação. Em 2022, após ser reeleito e diante da vitória de Lula, ele já havia afirmado: “eu me rendo aos resultados das urnas”.
O prefeito David Almeida (Avante), que também dizia “comungar” dos princípios cristãos de Bolsonaro e estar com ele “desde 2015”, desconversou ao ser questionado pelo portal AM Post, durante entrega da nova feira coberta do Alvorada 1, na zona Centro-Oeste da capital, acerca de sua ausência no ato do último domingo.
“Estou falando de mercados e feiras. Eleições, lados políticos, essas questões são tratadas no lugar certo, então, eu [quero] dizer que toda manifestação política é aceita. Eu quero me ater ao meu trabalho”, respondeu o prefeito.
Lula x Israel
Para o presidente do Instituto ‘Não Aceito Corrupção’, Roberto Livianu, as declarações do chefe de Estado, que comparou a postura de Israel diante da guerra contra a Palestina com o Holocausto de Hitler, como “lamentáveis”, questionando se o posicionamento de Lula não poderia ter ampliado o número de manifestantes no ato que reuniu 185 mil apoiadores de Jair Bolsonaro.
Afrânio Soares, professor e consultor em marketing político, classifica a comparação de Lula como “infeliz”, porém, não se deve desconsiderar o contexto da fala do presidente.
“A comparação é, realmente, bizarra. No entanto, o contexto da fala de Lula diz respeito à crítica de mortes desnecessárias, de civis [palestinos], neste conflito. Ou seja, é de ‘bom-tom’ concordar com isso, o que acaba transformando a frase do presidente em uma parcial verdade”, explicou.






