Lauris Rocha – Portal Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nessa semana o Ministério Público do Amazonas (MPAM) denunciou policiais suspeitos de torturarem uma mulher durante operação policial, no bairro Educandos, zona Sul de Manaus, no dia 12 de julho do ano passado.
Os seis policiais militares envolvidos na abordagem ilegal, de acordo com o Ministério Público, foram indiciados pelos crimes de abuso de autoridade, lesão corporal, furto qualificado e falsidade ideológica, os nomes dos agentes não foram divulgados. De acordo com o MP, os seis policiais militares estão lotados na Secretaria de Estado Adjunta de Operações (Seaop)
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Na época, a tortura contra a mulher repercutiu muito devido os registros da ação dos PMs pelas câmeras de segurança do estabelecimento comercial, onde foi feita a abordagem sem mandado judicial.

Relembre o caso
Na dia 12 de julho do ano passado, policiais militares em dois carros descaracterizados, sendo uma S-10 e um Ônix branco, com placas frias, armados com fuzil, arrombaram o gradil da casa de uma moradora do bairro Educandos em plena luz do dia sem ordem judicial. Os policiais estavam atrás de drogas e de uma arma que seriam supostamente do namorado dela conhecido por Janderson.
A vítima contou que após arrombarem a porta da casa dela onde funciona também uma distribuidora de bebidas, os policiais começaram a sessão de tortura.

“Mesmo dizendo que só abriria a porta na presença do meu advogado, eles invadiram a casa, me agrediram com tapas, socos e coronhadas na minha cabeça querendo saber onde estava meu namorado”, contou LSB.
Roubo das câmeras
Na distribuidora tinha câmeras de segurança, porém os policiais arrancaram os equipamentos e levaram.
Para o advogado de defesa da mulher, Vilson Benayon, “essa foi uma ação muito estranha e ilegal de abordagem”, disse na época.

“Os policiais envolvidos na operação com objetivo de ‘legalizarem’ sua conduta não deixando rastros, roubaram todas as câmeras do circuito interno de TV e seu HD que filmaram toda a investida criminosa dos policiais de ameaça e agressão a esta mulher”, explicou o advogado criminalista.
Segundo Vilson Benayon, nem os vizinhos escaparam do abuso de autoridade. “Quando viram a ação inadequada dos policiais, os vizinhos começaram a filmar e eles foram ameaçados pelos PMs, também, por filmarem com seus celulares a ação agressiva dos PMs”, ressaltou Benayon.
Competência da PM
De acordo com o advogado criminalista a competência da polícia militar é restrita ao policiamento ostensivo e preventivo, cabendo somente à Polícia Civil do Estado do Amazonas (PCAM) investigar.
Na época, o advogado da vítima oficializou ao Comitê Estadual de Combate à tortura e a Comissão de Direitos Humanos da OAB/AM pedindo apuração as recorrentes práticas ilegais dos policiais militares no momento das abordagens.






