Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a divulgação da morte do youtuber PC Siqueira na quarta-feira, 27/12, uma onda de manifestações tomou conta das redes sociais, com influencers e celebridades lamentando a perda precoce.
A repercussão trouxe à tona uma preocupação recorrente: a insistência em detalhar a forma como PC morreu, alertando sobre os riscos para quem enfrenta problemas de saúde mental. Um apelo se fez presente: interromper a disseminação do boletim de ocorrência, respeitando a sensibilidade daqueles que têm pensamentos suicidas.
Whindersson Nunes, em seu perfil no X antigo Twitter, desabafou sobre a morte de PC Siqueira, confrontando os comentários que celebravam o ocorrido. O tweet do humorista gerou reações diversas, entre empatia e críticas.
O humorista Gustavo Mendes também se manifestou, destacando o implacável julgamento da internet. Em suas palavras, questionou a sede por desgraças alheias, alertando para a perigosa dinâmica virtual.
A colunista do site Terra, Aline Ramos, condenou a divulgação desenfreada do boletim de ocorrência de PC onde mostra a causa da morte, informação que pode ser gatilho para quem tem problemas com depressão.
Gilmar, conhecido como “cartunista das cavernas”, recordou os tempos em que participava do programa PC na TV, criticando a comemoração da morte nas redes sociais e destacando a ironia da internet, que antes condenava e agora celebra.
O jornalista carioca Anderson França, amigo íntimo de PC desde 2017, pronunciou-se com revolta, responsabilizando o linchamento virtual pelo destino trágico do youtuber desde 2020, quando surgiram os boatos de pedofilia.
França citou como consequência do trágico desfecho “o adoecimento da vida, os efeitos das ações nas redes, a crueldade, a incapacidade da sociedade em se aprofundar num assunto para saber a verdade, ou a incapacidade de acolher. O ódio revestido de ‘justiça’, a estética dos denunciantes que se julgam puros”.
O que se sabe até agora
O 11º Distrito Policial em Santo Amaro (SP) oficializou nesta quinta-feira, 2812, a morte de PC Siqueira como suicídio, registrando a morte às 20h50 de 27/12. A Polícia Militar atendeu a ocorrência, onde o Samu confirmou o falecimento do influenciador.
O boletim de ocorrência relata que a namorada do youtuber, Maria Watanabe, testemunhou a tragédia, buscando ajuda nos vizinhos e detalhando os acontecimentos à polícia em depoimento.
Para alguns, a morte de PC Siqueira era prevista, dados os sinais que o próprio dava em suas raras aparições na internet, além de sua condição emocional, que revelava um quadro complexo, pois sofria de depressão e, após a acusação de pedofilia, passou por momentos de humilhação, pedindo dinheiro para comprar seus remédios.
O youtuber, alvo de bullying no passado, conquistou a fama, mas as acusações de pedofilia, embora inocentado, deixaram um rastro de destruição irreversível em sua carreira e vida pessoal.
O episódio levanta questões sobre o julgamento virtual, as consequências devastadoras e a importância em pensar em políticas públicas para a regulamentação de acusações na internet para evitar tragédias semelhantes.
Fato é que casos como o de PC Siqueira e da jovem Jéssica Canedo, que recentemente tirou a própria vida após ataques de fake news, tornam-se rotineiros no ambiente online e representam um sinal de alerta.












