Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O líder indígena Junior Yanomami, presidente do Condisi/YY e da Urihi Associação Yanomami, compartilhou um vídeo da comunidade Parima, em Roraima, denunciando um caso suspeito de Malária Falciparum. O caso aconteceu no sábado, 25/11.
No vídeo, é possível ver a jovem em estado de convulsão. Junior Yanomami não esconde sua indignação no vídeo, clamando por auxílio das autoridades diante da situação crítica. Ele revela que o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami transferiu a jovem em uma aeronave para um hospital em Boa Vista, capital de Roraima.
“Estou revoltado, triste e revoltado, vendo o meu povo sofrer com a malária e fome, e as autoridades do Estado Brasileiro não nos ouve”
Junior Yanomami, presidente do Condisi/YY
A comunidade Parima fica situada no planalto das Guianas, na fronteira brasileira com a Venezuela. A região é habitada pelos Yanomami há séculos, sendo o local dos primeiros assentamentos dessa comunidade indígena.
A malária falciparum, causada pelo parasita Plasmodium falciparum, é a “versão” mais grave da doença e assola as regiões tropicais e subtropicais, com a transmissão ocorrendo por picadas de mosquitos Anopheles.
O alerta já havia sido reforçado após seis meses da operação do governo federal na Terra Indígena Yanomami, onde denúncias apontam o retorno de garimpeiros e deficiências na fiscalização, contribuindo para o aumento dos casos de malária. Soma-se a isso também a precarização da assistência pela Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), conforme relatório de associações indígenas.
Líderes também apontam o aumento de casos após a operação, destacando falhas na logística de distribuição de cestas básicas e a persistência de conflitos na região. A infraestrutura da Sesai permanece precária, e a falta de medidas efetivas intensifica a propagação da malária.
Causas da malária
Em 2022, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já havia informado um aumento de 700% nos casos de malária em indígenas Yanomami, associado à mineração ilegal. A presença de garimpeiros ilegais e o desmatamento contribuem para a proliferação do mosquito transmissor.
Isso porque o garimpo deixa uma grande quantidade de crateras abertas no solo, que estimulam a proliferação e a propagação dessa doença infecciosa transmitida por mosquitos que vivem em água parada. Além de criar locais propícios para a reprodução dos mosquitos, altera os padrões climáticos, agravando a situação.
Atualmente existem cerca de 26 mil Yanomami na região norte da Amazônia, constituindo a maior reserva indígena do Brasil. Porém, conforme Junior Yanomami, provavelmente existam cerca de 25 mil garimpeiros ilegais dentro dos territórios indígenas do Brasil.
Estrutura precária
O Relatório Preliminar da Missão Yanomami, de janeiro de 2023, apontou estruturas de atendimento precárias, falta de profissionais e desassistência generalizada. A emergência decretada destaca a gravidade da situação, com a equipe enfrentando obstáculos logísticos e falta de insumos.
No relatório, os profissionais concluíram que as principais causas de mortes são situações preveníveis, em especial a desnutrição.
Outro problema encontrado foi a queda das coberturas vacinais. Em 2018, eram mais de 80%; em 2019, 66%; em 2020, eram 68%; em 2021, 73%; e 53% em 2022.
O Centro de Operações de Emergência (COE-Yanomami) avançou em alimentação, insumos, infraestrutura e comunicação.
A doação de cestas básicas, oxigênio medicinal e hospitais de campanha demonstra esforços para conter a crise. No entanto, desafios persistem, como a falta de segurança alimentar e a queda nas coberturas vacinais.






