Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus, a capital do Amazonas, tem o segundo maior porto nacional em movimentação de contêineres. A cidade abriga as principais indústrias de eletrônicos, motocicletas e demais produtos, que dependem da eficiência e grande logística para o transporte. O Estado do Amazonas depende dos rios para manter sua competitividade econômica, uma vez que não há estradas suficientes para isso.
Porém, o impacto na logística de transportes foi severamente sentido pelos moradores da região quanto a distribuição, inclusive de bens de consumo básico, e os moradores dos municípios do interior foram extremamente prejudicados em sua logística de produtos, que já sofrem com problemas de escoamento, potencializados com a vazante dos rios.
Um dos principais entraves se deu quanto aos valores do frete. A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) aponta o aumento nos custos dos fretes em torno de 40% a 50% neste ano, devido a estiagem.
O economista Altamir Cordeiro, ao PORTAL RIOS DE NOTÍCIAS, explicou que a estiagem deste ano foi muito mais agressiva, com isso, moradores do interior do Estado sofrem, inclusive com a falta de combustível, que levou ao racionamento de energia em municípios, que dependem do combutível para funcionamento dos geradores. “O interior ficou sem abastecimento de alimentos, água potável e também de combustíveis, causando em certos lugares, racionamento de energia”, pontuou Cordeiro.
Altamir Cordeiro explicou que a baixa profundidade dos rios dificulta a navegação de embarcações de grande porte, e isso impacta consequentemente na oferta de produtos, além de encarecer os fretes, sobretudo, pela demora no tempo da viagem. Isso leva ao desabastecimento dos municípios e ainda ao aumento dos preços nos produtos.
“Os preços subiram bastante, por causa da menor oferta de produtos. E os fretes tiveram aumento devido as dificuldades de navegação e diminuição das cargas transportadas. E também o tempo de viagem aumentou e com isso, os custos de logística disparou”, explicou o economista.
Contudo, boas notícias chegaram na última quarta-feira, 22/11, com a chegada dos primeiros navios carregados com mais de 400 contêineres no Porto de Manaus, após 50 dias de paralisação. As grandes embarcações transportam insumos para o Polo Industrial da Zona Franca de Manaus, além de produtos para o comércio da região.

Leia também: Com 14 metros, Rio Negro apresenta cota abaixo da média em comparação com anos anteriores
Desde o dia 15 de setembro, empresas náuticas precisaram suspender a navegação de navios que transportam cargas de insumos para o comércio e fabricação de produtos na Zona Franca de Manaus (ZFM) devido a vazante dos rios. Com a chegada das chuvas chegam também os navios, representando um fôlego para a economia e para a logística do Estado, apontando a retomada gradual do nível das águas em curso.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico da Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas, disse que é muito importante a chegada dos navios no Porto de Manaus para a economia local, e enfatizou o processo de dragagem dos rios e o período de chuvas como cruciais para o retorno das embarcações. Em outubro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit ) iniciou a dragagem de trechos dos rios Madeira e Solimões para permitir a passagem dos navios.
“A chegada destes navios é muito importante, pois ficamos mais de 50 dias, por conta da estiagem, sem receber navios. Isso tem um impacto muito grande na nossa economia local, no Polo Industrial de Manaus, mas com as dragagens que foram feitas e também com o período das chuvas, os navios voltaram a vir para Manaus” disse.
Ainda de acordo com Igrejas, nesta semana chegarão mais navios com cargas que devem abastecer o comércio para o natal.
Com a volta normal do fluxo de cargas, é esperado que as condições na indústria voltem a melhorar e o acúmulo de produtos acabados nos estoques das fábricas diminuam. A subida dos rios nesse momento, assegura, por exemplo, a normalidade das entregas de Natal, que acontecem a partir do fim deste mês. E que anteriormente, estavam ameaçadas pela permanência da estiagem, pontua Gustavo Igrejas.






