Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A participação de mulheres na política ainda é muito pequena no Brasil. É a partir desta discussão que a jornalista Carla Cecato defendeu, nesta segunda-feira, 20/11, no Jornal da Rios, da rádio RIOS FM 95,7, a ampliação de horizontes de oportunidade para a inserção do grupo feminino nos espaços políticos do país.
A expansão de mais mulheres nas esferas de poder também será discutida no evento “Mulheres em Ação”, promovido pelo partido Novo. O encontro ocorre nesta segunda-feira, 20/11, às 16h, no auditório do Hotel Da Vinci, rua Belo Horizonte, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

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Subnotificação

No Amazonas, apenas cinco mulheres ocupam a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), enquanto que na Câmara Municipal de Manaus, o número é ainda menor: apenas quatro vereadoras no total de 41 cadeiras. Para Carla Cecato, a baixa representação de mulheres na política reflete a falta de oportunidades.
“Isso não é uma questão de defender gênero, eu não sou feminista, eu não defendo gênero. Mas eu defendo oportunidades e debates. Quando você tem Câmaras Legislativas e Federais, e espaços que dão oportunidades apenas para homens e não para outras pessoas, empobrece um pouco a melhora de políticas públicas e do debate em si. Não é uma defesa do sexo, mas uma defesa da melhoria da vida de todos nós”, disse a jornalista.
Conforme Carla Cecato, o movimento “Mulheres em Ação” busca mostrar que a política também é para as mulheres, e que as demandas por melhorias serão atendidas apenas com o engajamento amplo de toda a população, e não apenas de um grupo minoritário.
“O que a gente que fazer? Democratizar esse acesso [na política] para que mulheres, pobres, ricos, pretos, brancos e indígenas estejam lá em um debate democrático, com cada um defendendo o seu direito, porque senão vai continuar sendo ocupado por essa maioria que continua ocupando há séculos”
Carla Cecato, jornalista
Inovações

Para a presidente do Novo no Amazonas, Maria do Carmo Seffair, um dos diferenciais do Novo é a forte mobilização do partido em chamar e em trazer mulheres para os espaços políticos.
“Ela tem que ocupar na política este espaço, porque é na política que nossas vidas mudam. Eu posso trabalhar na educação e formar pessoas, mas espero que na política a gente consiga colocar boas pessoas para mudar o panorama”
Maria do Carmo Seffair, presidente do Novo no Amazonas
A presidente da sigla no Amazonas defende que é importante “plantar sementes e ideias” de que é possível ampliar a participação feminina na política e chamou a atenção para o evento “Mulheres em Ação”.
“O evento mulheres em ação vai discutir isso. Toda vez que você faz algo para mudar, alguém sai de lá um pouco diferente. Eu gosto de falar que as pequenas coisas são propulsoras de grandes mudanças. Ninguém muda com uma coisa grande, você muda nas pequenas e cada passo vai transformando”, enfatizou Maria do Carmo Seffair.
Políticas públicas

A advogada Cristina Rando pontuou que a primeira lei de incentivo à participação da mulher no Brasil foi implantada em 1995. Desde então, outros mecanismos com o mesmo objetivo foram criados na legislação.
No entanto, após 30 anos, a participação feminina subiu de forma lenta: de 6% para aproximadamente 17%. A advogada defende que apenas políticas públicas não são suficientes, sendo necessário também a ocupação concreta de mulheres nos cargos políticos.
“As coisas não vão mudar apenas com políticas públicas. Não adianta a gente esperar um milagre. Somos nós que temos que fazer alguma coisa. Quando vemos as ações que estão sendo feitas por essas mulheres que estão liderando os movimentos, isso vai trazer mudança”, pontuou Cristina Rando.
De acordo com Cristina Rando, desde a fundação do partido Novo, ele já era formado por 40% de mulheres. Na primeira eleição municipal da sigla, em 2016, o Novo conseguiu superar a média nacional de mulheres eleitas, que era de 13,9%, ao atingir 25%. Já em 2020, a diferença foi ainda maior: enquanto a média nacional era de 14,8%, o Novo obteve mais de 34%.
“Por que o Novo tem esse sucesso com as mulheres? A gente não sai na véspera de eleição atrás de mulher para preencher cota. Estamos todo ano promovendo eventos, conversando com mulheres e despertando este interesse nelas”, explica a advogada Cristina Rando






