Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Amazônia está no centro do comércio ilegal de drogas, o qual impulsiona inúmeros crimes ambientais na região e aceleram o desmatamento. Os dados são do relatório do escritório da Organização das Nações Unidas Sobre Drogas e Crimes. Além da fauna, a destruição da floresta causada pelo narcotráfico também atinge espécies de animais, indígenas e defensores do meio ambiente.
A pesquisa aponta que o narcotráfico atinge principalmente quatro países que integram em seu território a Amazônia: Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia. A presença do tráfico de drogas nas fronteiras entre os países cruza também com os crimes ambientais, os quais estimulam a exploração de madeira e o avanço da mineração, garimpo, grilagem e tráfico de animais.

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O trabalho do relatório foi embasado em entrevistas com 25 especialistas, com a população local e associações que vivem na região Amazônica. Os dados destacam também o impacto violento do tráfico contra populações indígenas.
“Os povos indígenas e outras minorias estão sofrendo as consequências dessa concentração criminosa, incluindo deslocamento, intoxicação por mercúrio e exposição à violência. Os defensores do meio ambiente muitas vezes são alvos específicos de traficantes e grupos armados”, resume o relatório.
O relatório também lista aproximadamente 900 fluxos de droga na Amazônia. No Brasil, as rotas se concentram principalmente no Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Mato Grosso. Nestes locais, o narcotráfico utiliza da lavagem de dinheiro da economia ilegal a partir da especulação de terras e da agropecuária, sendo as principais causas da degradação ambiental.
“[O narcotráfico] Representa um perigo em ascensão para a maior floresta tropical do mundo”, afirmou a ONU.
Crimes
O cultivo de drogas em áreas florestais também faz parte das ações do narcotráfico. No entanto, a pesquisa ressalta que o impacto ambiental é pequeno, em comparação com outras atividades ilícitas. A floresta é derrubada para dar espaço às estradas e pistas de avião para escoamento de drogas. Outros resultados do desmatamento têm relação com a mineração e tráfico de animais.
Populações
O crime organizado na Amazônia afeta diretamente povos indígenas e outras minorias. O relatório expõe o envenenamento de mercúrio encontrado em peixes, como também a vulnerabilidade por falta de segurança e ameaças.
Avô de Agenor
O site de jornalismo investigativo The Intercept Brasil denunciou no dia 6 de novembro, que um dos responsáveis pelo desmatamento no Amazonas é Elmar Cavalcante Tupinambá, avô do influenciador digital Agenor Tupinambá, que ficou conhecido em todo o país após receber multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por manter em sua propriedade uma capivara, a Filó.
De acordo com dados obtidos com exclusividade pelo site, baseados em relatórios do Ibama e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), foram ao menos duas décadas de devastação por parte do agricultor Emar Cavalcante.
Conforme a publicação, Elmar foi multado em fevereiro de 2022 pelo IPAAM por destruir mais de 240 hectares de floresta nativa às margens do Rio Paraná Madeirinha e do Lago Imbaúba, em Autazes, situado a 111 quilômetros de Manaus.












