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El Niño deve durar até 2024 e será ainda mais quente, afirma organização

Em decorrência de seu impacto, 2023 está caminhando para ser o ano mais quente da história, superando o recorde anterior de 2016

8 de novembro de 2023
em Cidades
Tempo de leitura: 4 min
foto pessoas olhando para o rio negro em manaus

A Orla do Amarelinho, no bairro Educandos e a seca severa (João Dejacy/Rios de Notícias)

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Vívian Oliveira – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou uma atualização sobre o El Niño e apontou para sua persistência até, pelo menos, abril de 2024. Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno climático se desenvolveu rapidamente em 2023 e é esperado atingir seu pico durante o primeiro semestre do próximo ano.

Em decorrência de seu impacto, 2023 está caminhando para ser o ano mais quente da história, superando o recorde anterior de 2016. Isso se deve a uma combinação entre a intensidade do El Niño e o aumento das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, causado pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem.

Especialistas da OMM afirmam que o ano de 2024 será ainda mais quente devido à contínua contribuição das concentrações de gases do efeito estufa resultantes das atividades humanas, que contribuirá para eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, incêndios florestais e enchentes, que se tornarão mais comuns em várias regiões, causando impactos significativos.

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El Niño na Amazônia

Os efeitos do El Niño já se fazem sentir em 2023, com temperaturas recordes na superfície dos oceanos desde maio. As temperaturas no Oceano Pacífico Equatorial subiram de 0,5°C para cerca de 1,5°C acima da média em setembro.

Além disso, o fenômeno afetou o clima global, resultando em invernos atípicos, com altas temperaturas em várias regiões do Brasil. Em setembro, algumas capitais brasileiras registraram máximas superiores a 40°C.

Na Amazônia, já é a seca mais intensa em cem anos. Estados como Amazonas, Acre, Amapá e Pará experimentaram os menores índices de chuva desde 1980 entre julho e setembro. O rio Negro registrou seu nível mais baixo de água desde o início da medição em 1902.

O El Niño afeta o comportamento dos ventos e a precipitação em diversas partes do mundo. No Brasil, resulta em chuvas abaixo da média na região da Amazônia, causando isolamento de comunidades ribeirinhas, morte de animais aquáticos, comprometimento da produção de energia elétrica e queimadas que afetam a qualidade do ar.

A seca extrema já causa impactos econômicos, com municípios na região Norte tendo mais de 80% de suas áreas agrícolas afetadas. A navegabilidade dos rios também foi comprometida, dificultando o transporte de insumos.

No Mundo

No Hemisfério Norte, o El Niño, combinado com outros fatores climáticos, gerou ondas de calor extremo em países como Itália, Espanha e Grécia. Nos Estados Unidos e no Canadá, milhões de hectares foram devastados por incêndios florestais, que foram facilitados pelas altas temperaturas.

Embora a análise histórica e as previsões a longo prazo indiquem que o El Niño deve diminuir gradualmente na próxima primavera do Hemisfério Norte, a OMM ressalta que há uma alta probabilidade de que as temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial continuem aumentando pelo menos até abril de 2024.

Além dos impactos do El Niño, a OMM monitora outros fatores que podem contribuir para mudanças no sistema climático global.

A organização prevê um aumento nas temperaturas da superfície do mar na maioria dos oceanos globais, bem como temperaturas acima da média em quase todas as áreas terrestres.

Tags: altas temperaturasel ninofenomeno climaticooceano pacificoommorganizacao meteorológica

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