Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma importante ação de controle do mosquito Aedes aegypti, amplamente conhecido como o mosquito da dengue, teve início na segunda-feira, 30/10, no bairro da Compensa, na zona Oeste da cidade. A iniciativa visa combater a proliferação desses vetores e reduzir o risco de doenças transmitidas por eles.
Uma das estratégias adotadas nesse esforço é a implantação das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs), que funcionam como eficazes armadilhas para reduzir a população de mosquitos. O bairro da Compensa foi escolhido para receber essa ação devido ao seu alto risco de infestação na região.
A estratégia de controle de mosquitos, liderada pelo pesquisador da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, foi desenvolvida para preparar o município para o período de alta transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. As EDLs utilizam tecnologia de baixo custo e estão de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde (MS) para o enfrentamento das arboviroses no país.
Durante o período de 30/10 a 9/11, equipes compostas por 33 pessoas, incluindo colaboradores da Secretária Municipal de Saúde (Semsa), Fiocruz Amazônia e estudantes de biologia, divididos em duplas, instalarão 1.200 EDLs em domicílios da região. A Compensa é um bairro com 436 quadras, 30.058 imóveis e uma população de 94.932 pessoas que serão visitadas por essas equipes.

Como é feita a armadilha
O agente Nelson Luz explica como a armadilha é feita e de que forma ela ajuda no combate a proliferação mosquito.
“Temos os recipientes tudo certinho, colocamos um certo nível de água e dentro também colocamos esse pano preto que vai atrair o mosquito. A gente passa um inseticida que serve para contaminar a fêmea quando ela pousar, assim ela vai levar para outros criadouros e pontos que ela vai colocar seus ovos, evitando a proliferação”, explicou Nelson.

A estação não necessita de manutenção por parte dos moradores, apenas a reposição de água que evapora com o decorrer dos dias. Segundo Luz, a troca de água e verificação é feita mensalmente para manter o controle na região.
“A gente pede apenas para o morador ficar atento ao nível de água no recipiente, pois nossa equipe vem mensalmente fazer a troca do inseticida que fica no pano”, explicou o agente.
A Semsa Manaus e a Fiocruz Amazônia mantêm parceria para o monitoramento do Aedes aegypti desde 2017, alcançando até o momento os bairros Glória, Santo Antônio, São Raimundo e Compensa, todos na zona Oeste da capital.
“Fazemos o monitoramento nessas regiões e temos encontrado uma alta infestação, como é o caso aqui na Compensa. Mas, com o monitoramento, já conhecemos locais de maiores persistência e é neles que estamos colocando as estações disseminadoras de larvicidas”, disse Joaquin, representante da Fiocruz Amazônia e coordenador da ação.
O trabalho está sendo realizado pela Prefeitura de Manaus e o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) visando proteger a saúde e reduzir o impacto dessas doenças na comunidade.
Aedes Aegypti
Medidas de prevenção
Para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti e prevenir doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, os moradores podem adotar medidas simples, mas eficazes.
O coordenador enfatiza que a comunidade precisa participar ativamente para controlar o vetor e que todos podem facilmente incorporar medidas à rotina.
“Não é essa estratégia que vai fazer milagre, as pessoas tem que estar cientes da importância da participação deles no controle do vetor. É importante fazer a limpeza dos quintais, não deixar acumular água em lugares que não dá para vistoriar regularmente, pois esses são os problemas que temos a cada ano“, destaca o coordenador.
- Limpeza dos Quintais: Realizar a limpeza regular dos quintais, evitando o acúmulo de recipientes que possam acumular água parada.
- Tampar Tonéis e Caixas d’Água: Manter tonéis e caixas d’água devidamente tampados, impedindo o acesso dos mosquitos.
- Limpeza de Calhas: Manter as calhas das residências sempre limpas para evitar o acúmulo de água.
- Garrafas Viradas para Baixo: Manter garrafas com a boca para baixo, de modo a evitar que acumulem água.
- Lixeiras Bem Tampadas: Garantir que as lixeiras estejam bem tampadas para evitar que se tornem criadouros de mosquitos.
- Pratos de Vasos de Plantas: Limpar semanalmente ou preencher os pratos de vasos de plantas com areia para impedir o acúmulo de água.
Essas medidas preventivas são aplicáveis não apenas em áreas externas de casas e condomínios, mas também em áreas de piscinas e em qualquer local onde a água parada possa se acumular. A conscientização e a ação coletiva fundamentam a redução da incidência dessas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
O Aedes aegypti, popularmente conhecido como o “mosquito da dengue,” é um vetor de diversas doenças, incluindo a dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Sua reprodução ocorre em água limpa e parada, através da postura de ovos pelas fêmeas, que os distribuem em vários criadouros.
Esse mosquito é caracterizado por sua coloração preta com listras brancas no tronco, cabeça e pernas. Os machos, como em muitas espécies, se alimentam exclusivamente de frutas, enquanto as fêmeas necessitam de sangue para amadurecer os ovos, que são depositados separadamente nas paredes internas de objetos próximos à água limpa, proporcionando condições ideais para a sobrevivência dos ovos.
Em média, o ciclo de vida de um mosquito Aedes aegypti é de cerca de 30 dias, e uma única fêmea pode colocar entre 150 e 200 ovos. Se uma fêmea infectada com o vírus da dengue depositar esses ovos, os mosquitos resultantes se tornarão vetores da doença ao completarem seu ciclo evolutivo.
Os ovos não são colocados diretamente na água, mas sim a alguns milímetros acima de sua superfície, principalmente em recipientes artificiais. Quando ocorre chuva, o nível da água sobe, entrando em contato com os ovos que eclodem em menos de 30 minutos.
Ao longo de um período que varia de sete a nove dias, a larva passa por quatro fases até se transformar em um novo mosquito: ovo, larva, pupa e adulto. Essa complexa biologia do Aedes aegypti destaca a importância de medidas eficazes de controle e prevenção para combater a disseminação dessas doenças.






