Letícia Rolim – Rios de Notícias
“Não é um conflito religioso, é um conflito político. Precisamos primeiro reconhecer que aqui ainda há um profundo desconhecimento da necessidade da defesa do povo palestino, da autodeterminação dos povos”, destaca a coordenadora do movimento pró-Palestina em Manaus, Rita Vieira, que falou com o Portal RIOS DE NOTÍCIAS sobre o conflito na região da Faixa de Gaza, após ataque do grupo terrorista Hamas a Israel.
Rita explica que muito se tem compartilhado sobre a guerra ter sido motivada por questões religiosas e por território, mas ela ressalta que se trata de um conflito político muito mais complexo. Ela ressalta que na Palestina há outros povos, inclusive judeus, que também enfrentam desafios e perseguições.
“E quando eu digo que não é uma questão religiosa é porque de fato não é. Na Palestina existem cristãos, muçulmanos e judeus que, inclusive, se posicionam publicamente contrários ao sionismo, a esse movimento de colonização do povo palestino”, disse Vieira.
O mais recente confronto entre Israel e Palestina teve início no dia 7 de outubro, quando o grupo terrorista Hamas lançou um ataque surpresa na Faixa de Gaza, invadindo o território israelense, atacando e executando civis. Desde então, com forte contra ataque do Governo de Israel milhares de vítimas perderam a vida em ambos os lados.
“Nós não concordamos com nenhum tipo de violência. No entanto, não é mostrado a realidade do povo palestino que sofre com um regime de Apartheid, há 17 anos Gaza é sitiada. Eles são restritos dos direitos básicos e direito que nós defendemos aqui”, relata Vieira.
Nas redes sociais, a Federação Árabe Palestina do Brasil citou algumas dessas questões. “Não há equivalência de força para chamarmos de guerra ou conflito. Israel ocupa ilegalmente a Palestina e impõe aos palestinos um regime severo de Apartheid”, disse a federação.
Por outro lado, a Confederação Israelista do Brasil explica que o cerco é uma medida de proteção contra o Hamas. “O Hamas assumiu o controle de Gaza e, dadas as suas ações violentas e desmedidas, Israel e Egito impuseram um cerco estrito ao território, que continua até hoje”, explica.
Movimentos
Rita Vieira também é presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade federal do Amazonas (Ufam) e destaca o papel do movimento estudantil como defensor dos direitos humanos e da justiça social.
“Nós, enquanto movimento estudantil, que sempre fomos vanguarda nos grandes conflitos, nas lutas nacionais e internacionais, nos mobilizamos para estar presentes e dar voz àqueles que são massacrados” afirmou Rita.
Ela declarou que está inabalável em sua posição contra qualquer forma de opressão e que mantém a esperança de um futuro justo, onde todos os povos tenham direito à autodeterminação.
“Nós estamos em absoluta solidariedade com o povo palestino, inabalável na nossa posição contra qualquer forma de opressão. Estamos esperançosos que um dia possamos forjar um futuro pacífico e justo, em que todos os povos tenham direito inabalável a autodeterminação, e no caso, especialmente o povo palestino que tem esse direito violado há décadas”, disse Vieira.
O Apartheid e a Nakba
O Apartheid, que significa separação, foi um regime de segregação racial que prevaleceu na África do Sul por 46 anos, de 1948 a 1994. Esse regime ficou conhecido por suas centenas de leis que impunham a segregação racial, estabelecendo uma minoria branca privilegiada no topo da sociedade sul-africana. Os negros eram proibidos de circular livremente, eram isolados em áreas designadas como bantustões e tinham acesso limitado a direitos básicos.
Por outro lado, a Nakba, que significa catástrofe ou desastre, marcou a história palestina há 75 anos, quando cerca de 700 mil pessoas fugiram ou foram forçadas a deixar suas casas na região que hoje compreende Israel e os territórios palestinos.






