Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, realizada na segunda-feira, 9/10, o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sugeriu a possibilidade de implementar uma jornada de quatro dias de trabalho.
“É preciso se movimentar em relação a isso para que o Congresso possa refletir, avaliar e tomar a decisão se é a hora, se é momento de fazer uma nova regulagem de jornada. Eu, particularmente, acredito que passou da hora”, afirmou o ministro.
Marinho acredita ser o momento adequado para reavaliar e possivelmente regulamentar uma jornada mais curta. Ele ressaltou que essa é sua visão pessoal e não reflete a posição oficial do governo. “Não conversei sobre isso com o presidente Lula, evidentemente. Portanto, estou falando a minha opinião. Mas tenho certeza que o presidente não bloquearia um debate onde a sociedade reivindicasse que o parlamento analisasse a possibilidade de redução de trabalho sem redução de salário no Brasil”, enfatizou.

A iniciativa ganhou destaque em meio a um estudo recente realizado no Reino Unido, que demonstrou a viabilidade da semana de quatro dias. No experimento britânico, mais de 60 empresas comprometeram-se a manter o pagamento integral dos salários, enquanto os funcionários trabalhavam apenas 80% da carga horária, ou seja, um dia a menos por semana. Após o término do teste, 91% das empresas optaram por continuar com essa modalidade.
Vantagens
Os resultados do estudo mostraram inúmeras vantagens tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. Os funcionários relataram melhorias significativas em sua saúde e bem-estar, com mais tempo disponível para atividades físicas e uma diminuição notável no estresse e na ansiedade. Além disso, é possível economizar em média quase 300 libras por mês, reduzindo despesas com transporte e creche.
O aspecto mais surpreendente foi o impacto positivo nas empresas. Com funcionários mais descansados, houve menos ausências por licença médica ou outros motivos, e as empresas registraram um aumento em seu faturamento, demonstrando que funcionários mais satisfeitos e descansados são mais produtivos.
Os pesquisadores ressaltaram que o modelo de trabalho funcionou em empresas de diferentes tamanhos e em diversos setores, incluindo ONGs, restaurantes, empresas de construção e manufatura. O estudo suscitou uma reflexão importante sobre a tradicional concepção de que a produtividade está diretamente relacionada ao tempo de trabalho.
Testes no Brasil
No Brasil, um hospital em São Paulo já adotou a abordagem, reduzindo a jornada de trabalho de segunda a quinta-feira. A instituição faz parte de um grupo de 21 empresas e instituições brasileiras que participam de uma pesquisa global sobre a semana de quatro dias. Cada empresa tem autonomia para escolher o dia da semana em que os funcionários folgarão, adaptando o esquema às suas necessidades.
Os resultados obtidos no experimento ajudarão a determinar se a adoção da semana de quatro dias é viável e benéfica para empresas brasileiras. Além disso, o país se junta a outros onze países que também estão envolvidos no estudo.
Após um período experimental de seis meses, as empresas decidirão se continuarão a adotar o modelo. Com a declaração a abordagem do ministro Luiz Marinho espera-se que o debate seja ampliado, ganhe relevância e estimule o poder Legislativo a iniciar as análises e possível criação de um projeto de lei.






