Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A mudança na classificação indicativa do programa “Record Kids – Desenhos Bíblicos”, exibido pela TV Record, foi tema de debate na Câmara Municipal de Manaus (CMM), na manhã desta terça-feira, 3/11.
A discussão ocorreu durante sessão que também abordou outros assuntos, entre eles a suspensão de novos créditos do Passe Livre Estudantil, infraestrutura da cidade e a proibição das bets.
Vereadores questionaram os critérios utilizados pelo Ministério da Justiça para elevar a recomendação do conteúdo de livre para não recomendado a menores de 12 anos.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 29 de outubro. Segundo o Ministério da Justiça, a análise identificou elementos relacionados a atos criminosos, drogas ilícitas, violência e estigma ou preconceito.
Com a reclassificação, a exibição do programa na televisão aberta passa a ser recomendada a partir das 20h.
A Câmara Municipal de Manaus também discutiu sobre outros temas como problemáticas relacionadas à infraestrutura da cidade de Manaus, passe livre estudantil e a proibição das bets.
Vereadores questionam critérios da classificação
O vereador Mitoso (MDB) questionou os critérios utilizados pelo Ministério da Justiça e destacou o conteúdo religioso das animações.
“Alguém em sã consciência poderia me explicar por que uma programação infantil com esse propósito precisa receber uma classificação que recomenda a sua exibição somente a partir das 20 horas?”, questionou.
Raiff Matos (PL) também criticou a decisão e apontou diferenças no tratamento dado a outras produções audiovisuais.
“Estamos falando de valores, de princípios basilares que sustentam a nossa sociedade. Quando se pode para um lado e não pode para o outro, como é que fica isso?”, declarou.
Dione Carvalho (Agir) defendeu o respeito às fases do desenvolvimento infantil e a participação dos pais na educação dos filhos.
“É inadmissível isso! Deixem as crianças viverem cada fase! Nós não podemos antecipar as fases de cada jovem, não podemos! Isso aí é um desrespeito muito grande e isso rasga, na verdade, o ECA, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirmou.
Já Coronel Rosses (PL) citou animações disponíveis em plataformas de streaming e questionou os critérios de classificação.
“Então, assim, a gente começa a entender do que se trata realmente de destruição do nosso berço, da nossa família, da cabeça das nossas crianças, criando conteúdos que até então são repudiados para as crianças, mas que se estão a tornar normais”, declarou.
Jaildo Oliveira (PV) relacionou a decisão à liberdade religiosa garantida pela Constituição. “A liberdade e a consciência da crença religiosa são garantidas na Constituição. O Ministério da Justiça editar uma medida como essa é totalmente prejudicial”, afirmou.






